O descobrir a presença de Maria na minha vida, nas nossas vidas, foi outra extraordinária graça que o Senhor colocou na minha vida.
Com muita delicadeza, muito lentamente, mas insistentemente, o Senhor foi-me dando a conhecer a figura maternal de Maria, a graça de nEla confiar, a graça de a Ela recorrer, a graça de a Ela pedir a condução segura no caminho para o Seu Filho Jesus Cristo.
Começou a tocar-me profundamente Aquela Mulher, que tudo enfrenta, (e sabemos como seria difícil naquele tempo enfrentar a sociedade), para ser a Mãe do Filho de Deus.
A Sua primeira reacção, ou melhor acção, não é ficar deleitando-se com o facto de ser a escolhida, mas sim, como que num prenúncio da missão do Seu Filho, parte para servir, servir os outros que necessitam, (a sua prima Isabel, grávida de idade avançada), na continuação da sua entrega a Deus, que teria de passar sempre pela entrega aos outros.
«Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos.» Mc 10, 45
Discretamente, humildemente vai caminhando a descoberta do seu próprio Filho, seguindo-O em tudo e sobretudo na Sua vontade.
Não quer lugares de honra, não procura “reconhecimento” de ninguém, não se mostra, mas como diz João Baptista, vive intensamente: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir.» Jo 3, 30
A Mãe do Céu, toca assim de um modo muito especifico o meu coração orgulhoso, vaidoso e mostra-me o caminho seguro para Jesus Cristo, nesta oração que um dia vem ao meu coração.
«Mãe ensina-me a ser nada, para que Cristo seja tudo em mim».
Em mim nasce essa certeza de que Ela intercede por nós e que o seu Filho a ouve de um modo muito especial.
Confio-Lhe a minha família, os meus filhos, a Ela recorro em todos os momentos, alegres e nas aflições e “habituo-me” a ser ouvido, correspondido, naquilo que peço, ou na confiança para atravessar as dificuldades.
Com Ela aprendo a entregar-me à oração e o Terço/Rosário passam a ser alimento diário da minha vida, tornando-se muitas vezes num respirar, que verdadeiramente anima a minha vida.
Pois, às vezes parece quase mecânico, rotineiro, mas nunca deixa de expressar uma entrega, uma confiança, uma certeza de que com Ela só há um caminho, e esse caminho é Jesus Cristo nossa Salvação.
Quando por vezes percebo que erradamente querem fazer desta Mãe de humildade, uma quase “deusa”, percebo também como Ela se “revolta”, como Ela se dói, pois Ela é em tudo, o contrário disso mesmo, Ela é “apenas” «a serva do Senhor» Lc 1, 38
Com Ela a minha Fé vai-se enraizando, vai-se fortalecendo, vai-se tornando vida, numa entrega mais esclarecida e verdadeira a Jesus Cristo.
Por vezes penso como me seria possível viver hoje se não estivesse, não vivesse alimentado desta Fé que o Senhor na Sua bondade quis despertar em mim.
É que contrariamente à ciência do mundo, (que faz parte sem dúvida das nossas vidas), a Fé vem de dentro, é semente interior que cresce dentro de nós para depois tomar conta de tudo e tudo ser visto à imagem e obra de Deus.
A ciência vem de fora, da experiência, da verificação, da interpretação dos factos visíveis, para depois se tornar “convicção” no nosso interior e muitas vezes aquilo que hoje é verdade, amanhã já não o é.
A Fé vem de dentro, do interior do nosso ser, faz parte integrante do homem, (até daqueles que dizem não acreditar), é convicção profunda, que nunca muda, porque Deus é, (não foi, nem será), e por isso acaba por iluminar a nossa existência em tudo o que dela faz parte.
E não acontece por mérito do homem, mas porque este se abre ao Criador e Ele lha dá a conhecer no seu íntimo.
Assim, tudo na minha vida pretendo e me esforço para que seja iluminado, conhecido à luz da Fé, que me dá a certeza de que nunca estou só, a certeza de que Ele está sempre comigo e comigo se “preocupa”, que quer amorosamente a minha salvação.
E assim tem sido, as dificuldades, as provações, não deixaram de o ser, mas são vividas na confiança no meu Senhor, os bons momentos, as consolações, são vividas na alegria no meu Senhor e até esta vida, aqui no meio de todos, neste mundo, é colocada confiantemente nas mãos do meu Senhor, na convicção de que: «É que, para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro.» Fl 1,21
Um testemunho de vida nunca está acabado e este não o estará com certeza, porque a conversão é luta diária, porque a Palavra de Deus é sempre viva, porque o Espírito Santo nos diz: «Eu renovo todas as coisas.» Ap 21, 5
Amadurece no meu coração o pensamento de um livro, algo que torne mais acessível a todos, as maravilhas que o Senhor faz na vida daqueles que a Ele se abrem num encontro pessoal, intimo, olhos nos olhos, como o fez a mim e continua a fazer, algo que nos leve a pensar naquilo que escrevi no inicio deste testemunho:
«Faço-o para que aqueles que não acreditam ou já não acreditam, saibam que há sempre tempo para acreditar.
Faço-o para que aqueles que apenas praticam o preceito, a prática religiosa, possam perceber que estão a perder um manancial de graças que o Senhor derrama naqueles que para além de praticar, procuram viver a fé no seu dia a dia e em tudo.»
Termino assim, desta maneira simples, mas que diz tudo sobre a esperança que me/nos anima:«Mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.» Lc 21, 18





