quinta-feira, 19 de setembro de 2013

SACRÁRIOS VIVOS!

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Os sacrários são normalmente peças de muita beleza exterior, mesmo aqueles que primam pela simplicidade.
 
No entanto o seu interior é, normalmente, apenas constituído por paredes nuas, sem qualquer decoração.
 
Assim poderemos dizer, que os sacrários são muito belos por fora, mas despidos de beleza por dentro.
 
No entanto tudo se transforma quando no sacrário está Jesus Cristo Sacramentado!
 
Podemos afirmar então, que a maior beleza do sacrário está no seu interior, e que já não interessa sequer aquilo que ele é por fora.
 
Aliás os sacrários têm um fim, que é conterem, guardarem dentro de si, Jesus Cristo Sacramentado.
 
E sabemos que eles estão a cumprir essa missão quando há uma luz, sempre acesa, que nos diz que ali está a Presença Real de Jesus Cristo.
 
Se assim não for, a luz está apagada e os sacrários para nada servem, a não ser para decoração, para museus, e não nos suscitam mais nada, a não ser a apreciação da sua beleza, ou a falta dela.
 
Enfim, não nos detemos neles e nada acrescentam às nossas vidas!
 
Nós somos muitas vezes assim, como os sacrários!
 
Arranjamo-nos exteriormente, não só cuidando do aspecto do corpo e do que vestimos, mas também, tantas vezes aparentando uma maneira de ser que nada tem a ver connosco, (com o que nós realmente somos), enquanto no interior somos apenas paredes nuas, sem qualquer beleza, sem luz, porque não nos preocupamos em ser amor para nós e para os outros, porque em nós não mora Jesus Cristo, fonte do Amor.
 
Podemos conversar com quem quisermos, mas as nossas conversas são apenas palavras, não deixam rasto, nada acrescentam às vidas que por nós passam.
 
No entanto, quando nos abrimos a Ele e deixamos que Ele faça em nós morada, o aspecto exterior conta pouco ou nada, porque a expressão que transmitimos é a beleza do amor, há uma luz acesa em nós, e as conversas que possamos ter, o testemunho de vida que damos, deixa sempre uma impressão indelével, que leva muitas vezes os outros a deterem-se e pensarem nas suas próprias vidas.
 
Tal como os sacrários também nós temos um fim!
 
Esse fim é sermos sacrários vivos, ou seja, enquanto os sacrários na igreja “apenas” contêm Jesus Cristo Sacramentado, mas estão ali, estáticos, sem nada nos transmitirem de si próprios, nós poderemos ser sacrários vivos, ou seja, levarmos Jesus Cristo aos outros, transmitindo tudo o que Ele faz em nós, dando testemunho da Sua presença viva em nós e no meio de nós.
 
Os sacrários na igreja podem “conter” Jesus Cristo Sacramentado, mas não mudam, são sempre do modo como foram feitos.
 
Nós, se formos sacrários vivos, vamos sendo moldados, aperfeiçoados, pela presença de Jesus Cristo em nós, e essa mudança reflecte-se em nós e de nós para os outros.
 
Enquanto nos sacrários na igreja, a luz indica a presença de Jesus Cristo Sacramentado no seu interior, em nós, quando somos sacrários vivos, a luz é o Próprio Jesus Cristo que brilha em nós!
 
Faz do teu coração um Sacrário vivo, onde more sempre Jesus Cristo!
 
Marinha Grande, 21 de Setembro de 2007
 
Nota:
Recupero este texto de 2007, porque me fez muito bem relê-lo.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ANDAS TRISTE, PERTURBADO, DESCRENTE, DESANIMADO, COM VONTADE DE DESISTIR?

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Andas triste, perturbado, descrente, desanimado, com vontade de desistir?
 
Repara então nestas palavras:
Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.
Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. Lc 24,13-17
 
Vês, também eles caminhavam na vida entristecidos, de tal modo que nem conseguiam reconhecer Aquele que deles se aproximava.
 
Mas continua a ler estas palavras:
Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. Lc 24,19-21
 
Repara que estavam à espera de alguém que fosse resolver o problema das suas vidas, das suas dificuldades, das suas provações, do já e agora.
Queriam uma vitória sobre os outros, queriam não ter que se preocupar mais.
Pensavam apenas nesta sua vida do mundo, e esperavam alguém que fosse um chefe imbatível, que dominasse, que tudo vencesse pela força e pelo poder.
Afinal tudo levava a crer que aquele em quem eles esperavam tinha sido vencido pelos homens, pelo mundo.
Por isso mesmo é que estavam assim, tristes, descrentes, desanimados.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.» Lc 24,22-24
 
Ainda tinham ficado perturbados, mas já não conseguiam acreditar.
Pois foi, ouviram o que as mulheres contaram como se fosse uma história qualquer, mas que não tinha muito crédito, porque ninguém tinha visto com os olhos, aquele que eles esperavam.
Por isso, e ao verem que esse alguém que imaginavam de facto tinha morrido, e mais, que já tinham passado três dias e nada acontecia, não esperaram mais, tinham desistido e voltavam para a sua vida anterior.
Vês tu, que ao colocares a tua esperança nas coisas do mundo, nas coisas palpáveis, nas seguranças deste mundo, quando elas te falham ficas assim, triste, perturbado, descrente, desanimado e com vontade de desistir.
Mas, continua a ler as palavras deste episódio:
E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito. Lc 24,27
 
Olha que mesmo tristes, perturbados, descrentes, não mandaram o homem embora e foram ouvindo o que ele lhes ia dizendo.
Afinal parecia que os seus corações ainda tinham por ali uma réstia de esperança, uma vontade de mudar.
Parecia que aquilo que ouviam começava a fazer algum sentido.
De tal modo se deixaram envolver  que se passou o seguinte:
Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles. Lc 24,28-29
 
Não o deixaram ir embora!
Aquele homem tinha alguma coisa especial!
A sua companhia era boa e fazia nascer nos corações qualquer coisa de muito bom.
Precisavam de ouvir mais, de sentir mais!
Por isso lhe pediram para ficar com eles, porque a sua expectativa era grande.
Ora repara:
E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Lc 24,30-31
 
Ao partir do Pão!
Reconheceram-No ao partir do Pão!
Vês como é importante a Eucaristia!
Vês que é na Eucaristia e em Eucaristia que podemos reconhecer Aquele que dá a vida, a vida em abundância!
Vês que é na Eucaristia e em Eucaristia que podemos reconhecer Aquele que dá a paz, não a paz que dá o mundo, mas a paz interior que se projecta na eternidade!
Vês que se O reconheces na Eucaristia não precisas de O ver com os olhos do corpo!
Ele pode desaparecer da tua vista, mas fica a  habitar no teu coração!
E agora medita bem no que aconteceu a seguir:
Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!». E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão. Lc 24,32-35
 
Foi-se a tristeza, a perturbação, o desânimo, a descrença!
Perceberam a alegria que é conhecer o Senhor!
Correm agora para a vida nova sem hesitações, a são eles que confirmam já sem dúvidas, sem medo, que o Senhor ressuscitou e se lhes deu a conhecer!
E não te arde o coração também, quando percebes que de mansinho, sem imposições, Ele se te vai dando a conhecer pela Palavra até te levar ao reconhecimento d’Ele, sem dúvidas, na Eucaristia, ao partir do Pão?
Onde está agora a tristeza, o desânimo, a descrença, se reconheces que o que Ele te dá não cabe neste mundo, pois vai muito para além dele?
Levanta-te e corre, corre para a vida nova que Ele te oferece e conta a todos o que te aconteceu, confirma a todos que Ele ressuscitou, afirma a todos, que todos O podem reconhecer ao partir do Pão, na Eucaristia.
Ah, e não te esqueças que Ele é para todos, porque Ele quer ser companheiro de viagem de todos, de todos os que abrem o coração à Sua Palavra, ao Seu Amor.
 
 
Monte Real, 28 de Maio de 2008
 
Nota: Porque hoje e nestes dias preciso muito de ler e reler este texto que então escrevi em 2008.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

«MINHA VIDA TEM SENTIDO…»

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Este Domingo que passou, por causa de uma Homenagem aos Combatentes do Ultramar em Monte Real, decidi participar na Missa Dominical na minha anterior paróquia.
 
Cheguei cedo, fiz as minhas orações e sentei-me à espera do início da celebração.
 
O coro, (no qual cantei quando vivia em Monte Real), ensaiava os cânticos para a Missa, e a certa altura, começaram a ensaiar um conhecido cântico: «Minha vida tem sentido, cada vez que eu venho aqui…»
 
Vieram-me as lágrimas aos olhos!
 
Aquele cântico, naquela altura, naquela igreja, naquele momento, teve um significado como nunca tinha tido para mim.
 
Teve o sentido óbvio do cântico, da vida ter sentido cada vez que procuramos Deus em Igreja.
 
Mas teve também um sentido mais particular, mais íntimo, mais vivido, para mim.
 
É que foi naquela igreja, que ao fim de quase 25 anos de afastamento de Deus e da Igreja, eu me comecei a sentar em frente do sacrário, (quando a igreja estava vazia), falando abertamente com Jesus, “provocando-O” a fazer qualquer coisa da minha vida, então sem sentido.
 
E foi ali, naqueles bancos, em frente daquele sacrário, que tive a minha primeira “experiência” de perdão, uma vontade intensa de pedir perdão, não só a Deus, mas também a todos que eu tinha ofendido na minha vida, acompanhada de uma vontade tranquila de perdoar a quem me tinha ofendido.
 
Talvez tenha sido ali também, (apesar de todo o meu percurso de catequese e prática religiosa na infância e adolescência), que pela primeira vez senti verdadeiramente Jesus Cristo presente, senti verdadeiramente o amor de Deus, senti verdadeiramente que Ele estava comigo e em mim.
 
E depois … depois fui recebido com alegria e sorrisos por aquelas e aqueles que iam chegando para a Missa e que até me pediram para fazer uma Leitura.
 
Como é bela a comunhão da e em Igreja!
 
Como fez sentido cantar naquela Missa: «Minha vida tem sentido, cada vez que eu venho aqui…»
 
 
 
Marinha Grande, 4 de Setembro de 2013
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

A PORTA ESTREITA

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Senhor,
preciso fazer “dieta”!

Falas-nos da porta estreita e eu reparo que não consigo passar por ela.

 
De frente impede-me o tamanho dos meus ombros, largos de tanto querer “dar nas vistas”, dando muito mais a conhecer aos outros o meu eu, do que a Tua presença em mim.
 
De lado também não consigo, “gordo” que estou de orgulho, de me julgar mais do que os outros, ou até se calhar, pobre de mim, de me julgar mais abençoado por Ti do que aqueles que me rodeiam.

De joelhos também não, porque tenho a cabeça levantada de um autoconvencimento de que estou mais perto de Ti, do que os outros que estão à minha volta.

 
Percebo então que a minha “dieta” terá de ser o alimento divino, que não “engorda” o meu eu, mas aumenta a Tua presença em mim.

E, Senhor, se fores mais presença em mim, então dar-me-ás o “tamanho” certo para eu passar a porta estreita.

Por isso, Senhor, a minha “dieta” és Tu, só Tu e apenas Tu!

 

 
Meditando no Evangelho de Domingo passado - Lc 13,22-30

 
Monte Real, 27 de Agosto de 2013
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

ORAÇÃO DA “DÚVIDA”

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Quantas dúvidas, quantas incertezas, Senhor!
Não duvido de Ti, Senhor, como é também uma certeza inabalável no meu coração a Tua presença em mim, nos outros e no meio de nós!
 
As minhas dúvidas e as minhas incertezas, residem na minha relação conTigo.
 
É que sabes, Senhor, gostava de viver por Ti um amor puro, isento de qualquer interesse, um amor adoração, porque a Ti, Senhor, posso adorar.
 
Gostava de rezar, mas sem o sentimento de que o faço para Te agradar.
Gostava de rezar, mas sem Te pedir nada, por acreditar que sabes o que preciso.
Gostava de Te seguir, “apenas” porque és Tu a vida, e não esperar outra recompensa que não seja a minha constante gratidão por me deixares seguir-Te, Senhor.
Gostava que cada passo que dou, fosses Tu a dá-lo em mim, de modo a que o caminho que percorro, seja o caminho que me dás para caminhar.
Gostava de Te ver em todos os que comigo se cruzam, de modo a que amasse cada um sem passado, (bom ou mau tanto me faz), mas apenas com o amor com que Tu nos amas, sempre.
Gostava de olhar para Ti e ver-Te como Tomé, num grito que saia dentro de mim exclamando em alta voz: meu Senhor e meu Deus!
Gostava de Te comungar e deixar que tomasses conta de mim, do meu todo, de cada nervo, de cada órgão, de cada gesto, de cada sentimento, que não fosse apenas um momento, mas uma continuidade, que tornasse bem real a frase de Paulo na vida que Tu me dás: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.»*
 
E tão longe estou, Senhor, tão longe!
 
Quanto mais me aproximo de Ti, mais parece que me afasto.
Quanto mais falo contigo, mais surdo pareces à minha voz.
Quanto mais luto contra o pecado, mais pecador eu me sinto.
Quanto mais subo a escada para o Céu, mas degraus nela colocas.
Quanto mais me ajoelho e humilho, mais orgulhoso e soberbo me pareço.
Quanto mais sinto que Te amo, mais fraco e volúvel me parece o meu amor.
 
Pois, não é pelos meus méritos, pois não, Senhor?
Mas apenas e só por Tua graça!
 
Então, Senhor, continua a provar-me, coloca pedras no meu caminho, mais uns degraus na escada, dá-me mais esta sensação de que estou longe, para que eu não adormeça, e não me julgue aquilo que eu não sou.
 
E se num momento qualquer, eu me começar a afundar no mar da vida, estende-me a mão, Senhor, e diz-me olhos nos olhos: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?»**
 
 
 
*Gal 2, 20
**Mt 15,31
 
 
Monte Real, 19 de Agosto de 2013
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

JESUS CRISTO ROMPEU O TEMPO MORTAL

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«Cristo, por ter ressuscitado, abriu uma brecha no muro do tempo mortal», frase do livro "A fonte da Liturgia» de Jean Corbon.
 
 
Desde que li esta frase, o meu entendimento sobre a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, bem como a sua frase, «E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.» Mt 28, 20, passou a ser bem mais perceptível, não só pela fé, mas também pelo entendimento.
 
Com efeito, tendo Jesus Cristo morrido e ressuscitado, quebrou a cadeia do tempo mortal, do tempo do mundo, e, pela sua ressurreição, vencendo a morte, tornou-se presente para sempre.
 
Percebo então melhor a frase dos anjos para as mulheres na manhã do Domingo da Ressurreição, «Porque buscais o Vivente entre os mortos?» Lc 24, 5
 
Deus é dono do tempo e por isso mesmo só Ele pode romper o tempo e tornar eterno o que se tornou finito.
O homem criado «à imagem e semelhança de Deus», foi criado para não conhecer a morte, mas pelo pecado ficou sujeito à lei da morte, por isso o homem passou a “conhecer” o nascer, o viver e o morrer. Morrer que seria para sempre.
 
Mas o Pai, que ama o homem que criou com todo o seu infinito amor, quis libertá-lo do pecado, e, portanto, da morte.
Poderia tê-lo feito como muito bem Lhe aprouvesse, mas quis tornar-se sinal visível aos olhos e coração do homem, e por isso, enviou o seu Filho Jesus Cristo, para encarnar numa mulher e em tudo se tornar igual ao homem, excepto no pecado.
 
E quis ainda “ir mais longe”, permitindo a morte do seu Filho, para depois O ressuscitar, para que aqueles que acreditam percebam que a morte foi vencida, e que o homem não morre mais, mas passa da morte à vida, para a salvação ou condenação eternas.
 
 
 
Marinha Grande, 12 de Agosto de 2013
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

CARTA ABERTA A JESUS

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Senhor Jesus Cristo,
Tu conheces-nos melhor do que nós nos conhecemos, por isso gostava de Te perguntar, ou melhor, ir falando contigo ao sabor da escrita, acerca de algumas coisas que vou pensando e me incomodam.
 
Sabemos, (pelo menos aqueles que Te seguem), que vieste até nós para nos libertar da lei do pecado e da morte, ensinando-nos um caminho todo ele de amor, e sendo de amor, um caminho de comunhão, pois só na comunhão aqui na terra poderemos, por Tua graça, chegar à comunhão com Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.
Aliás, sabemos bem, (aqueles que acreditam), que o próprio Deus é a comunhão perfeita, sendo um só Deus em Três Pessoas.
Todos nós afinal, (assim acreditamos), fomos feitos à Tua imagem e semelhança, e assim sendo, fomos feitos em comunhão no amor e para a comunhão no amor.
Ensinaste-nos, Senhor, que devemos amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, o que só pode e deve levar à comunhão contigo e com os outros, em Ti, por Ti e para Ti.
 
E depois deste-nos a Igreja, assembleia convocada por Ti, para que aqueles que em Ti são baptizados, façam caminho de comunhão contigo, para em Ti alcançarem a salvação.
A Igreja é assim também “lugar” de comunhão, como não podia deixar de ser, pois Tu és sempre comunhão e a Igreja sai de Ti.
É assim, por isso, tão bela a imagem de Paulo de que a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, do qual Tu és a cabeça.
E o corpo é sempre também comunhão, pois o corpo não se divide a si próprio, não causa mal a si próprio, pois se assim proceder sofre dor e rejeição.
 
Ao pensar em tudo isto, ao pensar nesta comunhão que nos dás e queres de nós, só me ocorre perguntar-Te:
 
Como podemos nós homens dividir-nos “por causa” de Deus, que é amor e comunhão?
Como podemos nós homens dividir-nos “por causa” de Ti, Senhor, que és amor e comunhão?
Como podemos nós homens dividir-nos “por causa” da Igreja, que nos deste em amor e comunhão?
Como podemos nós homens dividir-nos “por causa” de um Papa, (seja ele qual for, fruto da Igreja), que é amor e comunhão?
Como podemos nós homens dividir-nos “por causa” da nossa humanidade, que criastes em amor e comunhão?
 
É que não entendo, Senhor, (não me entendo), quando servindo-nos do Teu Nome, servindo-nos do Nome de Deus, servindo-nos da Igreja, servindo-nos da Tua Doutrina, servindo-nos do Papa que escolheste, (este ou qualquer outro), acabamos por nos dividir, “criando” lados e facções, até por vezes ficarmos de costas voltadas, sem nos falarmos, sem nos sorrirmos, sem nos ajudarmos, sem sermos afinal “os” próximos uns dos outros.
 
Como é possível, Senhor, servirmo-nos do amor e da comunhão, para nos desamarmos e nos dividirmos?
 
Fracos que somos, Senhor, perdoa-nos e não desistas de nós, mas leva-nos ao amor e à comunhão, que será plenitude em Deus, por Tua vontade.
 
 
Monte Real, 5 de Agosto de 2013
Joaquim Mexia Alves
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