quarta-feira, 20 de março de 2013

PAPA FRANCISCO (2)

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Alguém há dias partilhava comigo as suas “inquietações”, que eu mesmo, de algum modo, também estava a viver: será que o Papa Francisco, com os seus gestos e atitudes não estará a colocar um pouco em causa a “dignidade” de ser o Sucessor de Pedro? Não poderá isso provocar “danos” na/à Igreja?
 
E outros pensamentos desta natureza iam despertando em mim, a par com uma profunda admiração e adesão ao que o Papa Francisco vai fazendo.
(Comoveu-me até às lágrimas vê-lo à porta da igreja, saudando, abraçando e beijando o povo que ia saindo da celebração.)
 
Fui reflectindo então da seguinte maneira.
Sou de um tempo em que o amor era profundo, mas apesar de tudo, vivido com uma certa “distância”.
Hoje penso, amando o meu pai e a minha mãe como amava e amo, como teria gostado de os abraçar, de expressar "livremente" os meus sentimentos, de lhes dizer encostado ao peito: pai, mãe amo-vos tanto!
Não que alguma vez tivesse sido proibido de o fazer, mas não era costume naqueles tempos, embora soubéssemos, sem margem para dúvidas, do amor profundo dos nossos pais por nós.
Era um tempo em que Deus estava longe, ou melhor, o modo como era “ensinado” fazia-O longe nós, e mesmo as celebrações da Igreja, eram distantes e na maior parte das vezes incompreensíveis para o comum fiel.
 
Pensei então no Papa Francisco, e "julguei" os seus gestos à luz do que acabo de escrever.
 
Sinto-me assim humildemente com um Pai na Fé, que se aproxima de mim, que me diz ao coração: preciso de ti, preciso das tuas orações, preciso que me ajudes, porque só assim te posso ajudar também.
 
E volto ao Mestre, ao Senhor de todas as coisas, Jesus Cristo, e "vejo-o" humildemente comendo com os pecadores, recebendo beijos de prostitutas, fazendo-se pobre como os mais pobres, para que todos esses, todos estes de agora d'Ele se aproximem e sintam que aquele Homem e Deus, veio para eles, e em tudo, (excepto no pecado), se fez e quer fazer igual a eles.
 
Porque ficou Jesus entre nós e porque é que ainda hoje ou sobretudo hoje é tão atacado e rejeitado?
 
Tenho para mim que não foi "apenas" por ser Deus, mas também porque se fez humilde, igual aos outros, sofrendo até mais do que os outros, e aproximando-se de nós, quis tocar os nossos corações.
Por isso, e por muito mais, foi rejeitado e ainda o é, num mundo em que os homens se julgam vencedores por suas próprias mãos.
 
Pode o Vigário de Cristo na terra ser diferente do Mestre?
Hoje julgo que não!
 
Cristo sentou-se à mesa com os discípulos e foi na maior simplicidade, no meio deles, com um cálice normal e um pão normal que instituiu a Eucaristia.
 
Precisou de aparatos e grandes cerimoniais?
Julgo mais uma vez que não, e mesmo as primeiras Eucaristias, nas primeiras comunidades cristãs eram, com certeza, à volta da mesa, na maior dignidade, mas também na maior simplicidade.
 
E não foi tudo isso, (sobretudo com a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo), que pela graça de Deus conquistou os homens há dois mil anos e ainda hoje continua a conquistar?
 
Anunciamos um Cristo humilde, simples como os mais simples, mas queremos "magnificência e pompa" na Igreja!
 
A dignidade não vem da "magnificência e pompa", mas da coerência de vida, do amor a Deus acima de todas as coisas e aos outros como a nós mesmos.
 
Tudo isto é novo para mim, mas sinto no meu coração, sinto nas minhas entranhas, que mais uma vez o Espírito Santo "venceu" os homens e deu à Igreja de Cristo, o homem providencial para os tempos que se avizinham.
 
O mundo “empobrece”, e a Igreja pela voz e gestos do Papa, “empobrece” com ele.
 
Tantos que pedem que a Igreja se adapte aos tempos modernos!
 
Aí está Ela a adaptar-se aos tempos modernos!
Não mudando o que é imutável, a Doutrina de Cristo, a Tradição da Igreja, (pois este Papa será, pelos gestos que vai tendo, bem mais “rigoroso” do que os seus antecessores com aqueles que de dentro minam a Igreja), mas mudando o que se pode mudar, ou seja, aproximando a Igreja do homem comum, falando uma linguagem directa, simplesmente compreensível, e tendo gestos de homem comum, que se "agiganta" pela sua humildade.
 
Se o Espírito Santo o escolheu e chamou, o Espírito Santo o conduzirá.
 
Por isso descanso e dou graças a Deus pela Igreja, pelo Papa Francisco, pelo Povo de Deus.
 
Tudo e sempre para a honra, a glória e o louvor de Deus!
 
 
Marinha Grande, 20 de Março de 2013
Joaquim Mexia Alves
 
 
Nota:
Com este texto não quero significar que tudo é permitido, por exemplo, adulterando a celebração dos Sacramentos, muito especialmente a Eucaristia.
Mas também não acredito que o Papa Francisco alguma vez o permitisse, ou nisso colaborasse.
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domingo, 17 de março de 2013

A CAMINHO DE JERUSALÉM

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Aproximas-Te de Jerusalém, Senhor.
 
O Teu coração está profundamente triste, mas fazes a vontade do Pai.
 
A tristeza do Teu coração não se deve ao conhecimento de saberes o que vais sofrer, porque esse sofrimento é até para Ti alegria e paz serena, porque dele virá a Salvação para o homem que Tu amas com amor eterno.
 
Essa tristeza é por saberes que, apesar do Teu Sacrifício, apesar dos Teus sinais, muitos não irão acreditar, muitos irão rejeitar o Teu amor e, por isso, muitos se perderão por sua vontade própria.
 
E isso entristece-Te profundamente, não por eles Te rejeitarem, mas porque se perderão, e isso é insuportável ao Teu coração que os ama com amor eterno.
 
Ai a fragilidade dos homens, a sua inconstância, as suas debilidades e fraquezas!
 
Sabes bem que quando entrares em Jerusalém serás recebido com hossanas e louvores, daqueles mesmos que passado pouco tempo gritarão: crucifica-O, crucifica-O!
 
E sabes bem que ainda assim continuamos!
Quando precisamos de Ti, cantamos-Te louvores, suplicamos-Te e em Ti acreditamos.
Quando parece que tudo corre bem connosco, deixamos de ter tempo para Ti, esquecemos-Te e por vezes até Te rejeitamos.
 
Também nós, Senhor, em Igreja, tantas vezes Te fazemos “juras de amor”, mas tantas vezes também no dia-a-dia do nosso trabalho, do nosso lazer, da nossa família, Te afastamos e não deixamos que nos ilumines e guies com o Teu amor.
 
Aproximas-Te, Senhor, de Jerusalém, que em mim é o meu coração!
 
Nele entras e também és recebido com hossanas e glórias ao meu Senhor e meu Deus.
Mas nele tantas vezes também és negado, tantas vezes esquecido, tantas vezes ofendido, tantas vezes crucificado.
 
Perdoa-me, Senhor, e faz do meu coração uma nova Jerusalém, onde tudo cante e dance de alegria para o meu Deus, um coração abraçado à Tua Cruz, vivendo a Ressurreição, a Tua vitória sobre a morte.
 
 
 
Marinha Grande, 17 de Março de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quinta-feira, 14 de março de 2013

PAPA FRANCISCO

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Como hei-de explicar o que sinto?
 
Sinto uma enorme tranquilidade, uma paz imensa, uma alegria interior e uma comunhão em Igreja, como há muito não sentia!
 
Ainda é cedo, dirão alguns!
 
Sim, é verdade, ainda nem vinte e quatro horas passaram, para já poder fazer apreciações ou emitir opiniões.
 
Mas eu não estou nem a fazer uma apreciação, nem a emitir uma opinião, mas apenas a revelar o que sinto em mim, o que sinto vivendo a fé que Deus me deu e hoje em dia forma a minha vida.
 
Nem faço comparações, porque Deus sabe muito bem o homem certo que escolhe, para o tempo certo que se vive.
 
Aquele baixar da cabeça, pedindo ao povo para rezar por ele, fez-me vir as lágrimas aos olhos, e à distância de muitos quilómetros, levantei uma prece a Deus pelo Papa Francisco.
 
E dou graças a Deus pelos sinais que sempre nos envia, e que, quem acredita, vê, porque é preciso acreditar, para ver, quando falamos das coisas de Deus.
 
Foram-se os vaticínios, as análises “profundas”, os recados encomendados, os desejos recalcados, as ameaças veladas ao futuro da Igreja: Deus falou mais alto, e falou do Alto!
 
Claro que os jornalistas mundanos irão “descobrir” imensas coisas para tentar “diminuir” a pessoa de Jorge Mario Bergoglio, mas estarão a falar apenas para eles e para os que estão sempre contra a Igreja, porque o Papa Francisco já conquistou o coração dos católicos e, atrevo-me a dizer, o coração de muitos não católicos.
 
Louvado seja Deus! A Deus toda a glória e todo o louvor!
 
 
Monte Real, 14 de Março de 2013
Joaquim Mexia Alves
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terça-feira, 12 de março de 2013

A “LOUCURA” DE DEUS

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«Portanto, o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e o que é tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens.» 1 Cor 1, 25
 
 
Ao ouvir e ler as “notícias” dos jornalistas, os comentários dos habituais comentadores, as análises dos habituais analisadores, as opiniões dos habituais “opinadores” e até alguns, (não poucos), comuns mortais expressando as suas impressões, pelo nosso país e pelo mundo fora, sobre a eleição do novo Papa, não pude deixar de me lembrar da passagem acima transcrita da Primeira Carta aos Coríntios.
 
Confunde esta gente, o simples facto de que Deus conduz a Sua Igreja!
Para eles isto pura e simplesmente não pode acontecer!
Porque sai da lógica humana, porque não podem controlar a análise e o resultado, porque não podem influenciar a decisão, e isso é insuportável a esta sociedade mundana que tudo decide por padrões exteriores, assente naquilo a que decidiram chamar “politicamente correcto”.
 
A Igreja sai do seu controlo, sai da evidência das análises mundanas, até porque teima, segundo eles, em não se adaptar àquilo que querem chamar os “tempos modernos”, à chamada “nova moral”, aos chamados “novos costumes”.
E isto é insuportável a quem se rege pelo mundo, porque esta espécie de humanos, os católicos, (e católicos verdadeiros são aqueles que vivem diariamente e se deixam plasmar pela Fé em Deus), saem da “normalidade” das coisas do mundo, e recusam “embarcar” em tudo quanto seja destruir a vida, destruir o homem, destruir o amor.
 
E é muito incómodo para esta gente, porque eu acredito que eles sabem que estão a falar para eles próprios e para aqueles que não acreditam, que não são Igreja, percebendo que os católicos não lhes dão qualquer atenção, porque confiam e esperam em Deus, que não faltará à Igreja neste momento importante, como nunca faltou em momento algum, (até mesmo quando a Igreja se afastou da vontade de Deus), e em vez de se dividirem em especulações e vontades próprias, se unem rezando por aqueles a quem Deus deu a missão de escolher o novo Papa.
 
Se recuarmos ao ano de 1978, dá vontade de perguntar quantos destes jornalistas, comentadores, analistas, “opinadores”, etc., etc., referiram um desconhecido Karol Wojtyła e vaticinaram que ele seria Papa?
 
Não conseguem perceber que aquele que para os homens parece ser o melhor, nem sempre aos olhos de Deus, é aquele que Ele sabe ser o homem indicado para presidir à Sua Igreja, porque os Seus critérios, não são os critérios dos homens, porque a Sua vontade e o Seu tempo, não é a vontade e o tempo dos homens, porque só Deus sabe e conhece o intimo de cada um e por isso sabe e conhece aquele que melhor fará a Sua vontade em Igreja.
 
E, se por acaso os homens da Igreja quiserem fazer a sua vontade em vez da vontade de Deus, Ele se encarregará em devido tempo, (o Seu tempo), de repor a Sua vontade, (como fez tantas vezes na história da Igreja), não para fazer valer a Sua vontade porque quer mostrar a Sua autoridade, mas porque ama os homens de tal modo que nunca os abandona.
 
Por isso, rezo, descanso, e desde já dou graças a Deus pelo Papa que dará à Sua Igreja.
 
Tudo e sempre para a glória de Deus!
 
 
Monte Real, 12 de Março de 2013
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 8 de março de 2013

“DIÁLOGO” COM O DIABO (4)

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Diz ele: Vês, esforças-te tanto, fartas-te de rezar, de pedir e vê lá se Ele te concede o que pedes?
 
Digo eu: Sabes bem melhor do que eu que o tempo de Deus não é igual ao meu tempo.
 
Diz ele: Isso é conversa! A verdade, repito-te, é que te fartas de rezar, de pedir e não recebes o que pedes!
 
Digo eu: Olha, eu confio que Ele sabe o que é melhor para mim, não só em relação ao tempo em que me quiser dar o que peço, mas sobretudo em me dar o que Lhe peço.
 
Diz ele: Estou farto de ouvir essa conversa, mas verdade é que vocês pedem, pedem e Ele não vos concede o que o pedem. Se me pedissem a mim, eu satisfazia logo os vossos desejos!
 
Digo eu: Podes então conceder-me o desejo de ser sempre e cada vez mais de acordo com a vontade de Deus?
 
Diz ele: Mas isso é uma tolice, pedires-me a mim para seres mais parecido com Ele! Eu abomino isso! Mas pede-me dinheiro, poder e fama e vais ver se não to concedo!
 
Digo eu: E para que quero eu dinheiro, poder e fama se isso me afastar d’Ele? Sabes bem que já experimentei isso tudo e no que a minha vida se transformou!
 
Diz ele: E não vivias feliz e despreocupado?
 
Digo eu: Sabes lá tu o que é a felicidade? Vives atormentado pelo ódio!
 
Diz ele: Pois sim! Mas nessa altura não andavas sempre preocupado a tentar fazer tudo bem e nem sequer te preocupavas com os outros! A vida corria-te bem e não tinhas preocupações.
Começaste a olhar para Ele e vê lá se não começaram os problemas na tua vida?
 
Digo eu: Estás enganado e queres enganar-me! Problemas sempre os tive e sempre os terei. Só que agora, com Ele, os problemas são caminho de construção, mas quando vivia afastado d’Ele eram caminho de destruição!
 
Diz ele: Pois, mas reconhece que dantes tinhas prazer, vivias bem, e não andavas preocupado com isso a que chamas pecado.
 
Digo eu: Claro que só te lembras desse prazer mundano sem moral, sem regras, pois nessas alturas estavas ao meu lado. Mas onde estavas tu quando a desilusão, a frustração, a falta de sentido de vida, o desânimo, o quase desespero tomavam conta de mim? Onde estavas tu quando a minha vida espiritual, mental e física se ia degradando? “Preocupas-te” tanto com a minha vida, quando afinal só queres a minha morte!
 
Diz ele: Tu é que sabes! Mas comigo a vida é muito melhor e tem muito mais prazer!
 
Digo eu: Vai-te, que já te experimentei e sei bem que contigo a vida só leva à morte, e à morte para sempre. Deus dar-me-á o que preciso, e não mais do que isso, porque Ele nunca falta com nada do que aqueles que n’Ele crêem e confiam verdadeiramente precisam.
 
 
Marinha Grande, 8 de Março de 2013
Joaquim Mexia Alves
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segunda-feira, 4 de março de 2013

"ENCARREGADO DA VINHA"

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Disse-lhes, também, a seguinte parábola: «Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou. Disse ao encarregado da vinha: 'Há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?' Mas ele respondeu: 'Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume. Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.'» Lc 13, 6-9
 
 
Ao ouvir esta passagem do Evangelho deste Domingo, dei comigo a pensar na figura do “encarregado da vinha” que pede ao dono da vinha para poupar a figueira.
E lembrei-me do tempo em que também eu era aquela figueira, (não três, mas mais de vinte anos), ocupando a terra, sem outro préstimo que não fosse viver sem sentido e sem dar fruto.
 
A primeira questão que me ocorreu, foi tentar perceber quem foram os “encarregados da vinha” que pediram por mim, que acreditaram que eu ainda podia dar fruto, para que o “Dono da vinha” não desistisse de mim, (embora Ele nunca desista de ninguém), para que eu próprio não desistisse de mim.
 
E, claro, a primeira figura que veio ao meu pensamento, ou melhor, ao meu coração, foi a Mãe do Céu, que como Mãe, é a mais perfeita “encarregada da vinha” não querendo perder nenhum dos seus filhos, intercedendo junto do Seu Filho, para que Ele interceda junto do “Dono da vinha”.
Depois surgiram os meus pais, que “encarregados desta porção de vinha” que o Senhor lhes dera, não podiam deixar de interceder por tudo o que o “Dono da vinha” lhes tinha colocado em suas mãos. Com eles vieram também ao meu coração as minhas irmãs e irmãos que com certeza pediram por esta figueira que não dava fruto.
Com um sorriso de gratidão despontaram também no meu coração as minhas Irmãs Clarissas de Monte Real que, com certeza, a pedido de meus pais, não deixaram de pedir para que esta figueira não fosse cortada, mas que crescesse forte e com fruto.
Delas, destas minhas Irmãs Clarissas, me parece que são aquelas “encarregadas da vinha” a quem compete regar toda a vinha com as suas orações, que são o adubo perfeito para que as plantas e árvores dêem fruto e fruto em abundância*.
Vieram a seguir os inúmeros “encarregados” e inúmeras “encarregadas da vinha”, que por esse mundo fora vão rezando, pedindo, por todas as figueiras que não dão fruto, nas quais eu estava incluído.
 
E tanto todos pediram, tanto todos rezaram, que o Senhor fez a poda de tudo o que era supérfluo e estéril em mim, e por Sua graça me foi permitindo dar algum fruto, o fruto que Ele mesmo me dá.
 
Tudo isto me leva a pensar se eu sou um bom “encarregado da vinha” também?  
Se eu também peço insistentemente por todas as figueiras que não dão fruto, sobretudo aquelas que me estão mais próximas?
Se será que eu “escavo a terra à volta delas” e as “adubo” com a minha oração, a minha entrega, o meu testemunho coerente de vida?
Porque é preciso sempre que intercedamos junto do “Dono da vinha”, para que as “figueiras estéreis” não sejam cortadas e passem a dar fruto «a trinta, a sessenta e a cem por um»**.
 
Senhor,
que colocas em cada um a missão de interceder pelas “figueiras estéreis”, leva-nos a insistentemente pedir por aqueles que não Te conhecem, não Te amam e não Te seguem, para que, “regados” pela oração e “podados” pela conversão, possam dar fruto e fruto que permaneça***.
Amen.
 
 
*Jo 15, 1-2
 
**Mc 4, 8
 
***Jo 15, 16
 
 
Monte Real, 4 de Março de 2013
Joaquim Mexia Alves
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sexta-feira, 1 de março de 2013

EM ORAÇÃO COM BENTO XVI

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Acordei hoje de manhã com o Papa Bento XVI no meu pensamento.
 
Naqueles momentos iniciais do dia ia pensando nos caminhos de Deus, como Ele nos surpreende em tantas coisas que damos como adquiridas.
 
E pensava no que teria levado Bento XVI a tomar a decisão que tomou, certamente, (não tenho dúvidas), iluminada por Deus que sempre foi o Caminho, a Verdade e a Vida da sua vida.
 
Surgiu então no meu pensamento esta passagem do Evangelho de São Mateus.
«Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só.» Mt 14, 22-23
 
E fui-a “rezando” ao sabor da decisão do nosso Papa.
 
“Depois Bento XVI “obrigou” a Igreja a “embarcar” numa nova procura, e enquanto se despedia do povo de Deus, partiu para outra margem. Assim que disse adeus ao povo que com ele tinha estado, retirou-se para orar na solidão. E ao chegar o anoitecer da sua vida, ele ali estava, em oração por esse povo, só, mas sabendo-se acompanhado pelas orações da multidão dos filhos de Deus.”
 
Posso tentar encontrar todas as razões que eu quiser para justificar a decisão do Papa.
Posso ler as opiniões de todos, umas mais justas e equilibradas, outras apenas com o fim de atacar a Igreja e a figura do Papa, que tão atacado foi.
 
No fundo, a conclusão a que chego é sempre a mesma:
Bento XVI, iluminado pelo Espírito Santo, percebeu que a vontade de Deus era a sua oração, retirado, pelo Povo de Deus, pela Igreja que ele tão bem tinha servido, (sem se servir), passando para a “outra margem”.
 
 
Marinha Grande, 1 de Março de 2013
Joaquim Mexia Alves