domingo, 21 de julho de 2013

FESTIVAL JOTA, FESTIVAL DE JESUS!

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Quem me conhece minimamente sabe que eu sou, (hoje em dia), um sentimental, um emocional, um que não se contém, (apesar de alguma timidez), em expressar as suas emoções, as suas vivências, as suas alegrias.
Às vezes até serei um “chato”, porque não me calo, quando falo de Deus e das maravilhas que Ele fez e faz em mim, pelo menos como eu as sinto em mim.
 
Costumo pensar que ao fim de tanto tempo afastado d’Ele, Ele me agarrou de tal forma que me tornou, graças a Deus, totalmente dependente d’Ele.
Costumo pensar e dizer que Ele, servindo-se da minha emotividade, me quis conceder o dom das lágrimas, e costumo sentir e  dizer também que não precisava de “exagerar” em tal dom.
 
É que já faz parte de mim, quando falo d’Ele, deixar-me levar!
A maior parte das vezes, embarga-se-me a voz, humedecem-se-me os olhos, e se não respiro fundo, as lágrimas de alegria e de gratidão correm-me pela cara abaixo.
 
Tudo isto para dizer que as poucas horas, (poucas por vontade própria), que passei no Festival Jota, foram uma alegria, uma paz, uma certeza, uma comunhão, que eu não trocaria por nada que me pudesse acontecer neste Sábado que passou.
 
Podem perguntar-me: Porquê? O que é que se passou de tão relevante, de tão importante?
E eu desiludo-os e digo: Nada, rigorosamente nada, a não ser a alegria de estar com aqueles jovens todos, com aqueles sacerdotes próximos de nós, iguais a nós, despidos de conceitos e preconceitos, irmanados no fundo no mesmo Deus que todos procurávamos em cada palavra, em cada sorriso, em cada abraço, em cada conhecimento novo.
 
Confesso que enquanto esperava aqueles jovens que iriam ouvir e debater aquilo que tinha para lhes testemunhar, ia ficando um pouco “desalentado”, por não ver surgir uma “multidão” ansiosa de ouvir a minha tão “importante” pessoa.
 
Ah, como Deus faz as coisas bem feitas!!!
Poucos, seis ou sete, e um sacerdote, que não me “examinava”, mas antes ouvia, vivia e se deixava “enternecer” pela presença de Deus em mim, para além da minha fraqueza e orgulho.
E a meio de tudo o que ia dizendo e respondendo, apeteceu-me chorar de alegria, de emoção, de gratidão.
Apeteceu-me abraçar aquelas jovens que me ouviam e perguntavam coisas, e continha-me, porque neste mundo isso não se pode fazer, entendam-me!
 
Passadas mais de vinte e quatro horas, ainda vivo tão escassas horas, que me transportam para um Deus tão extraordinário, que se quer servir de mim, que se quer servir de todos, para se revelar aos outros.
Por isso tantas vezes a mensagem não chega, ou porque não a sabemos transmitir, ou porque não a sabem ouvir, ou melhor, ou porque não estão abertos para a ouvir.
 
E no entanto era tão fácil para Ele!
Derrubava umas montanhas, transportava umas árvores daqui para ali, curava uns paralíticos e uns cegos, mesmo à nossa frente, e não havia quem não se aproximasse d’Ele, quem não quisesse estar com Ele, quem não O quisesse como companheiro de viagem.
Pois, mas se assim fosse, muitos iriam a Ele por medo, ou por interesse, ou por “negócio”, e afinal Ele conhece apenas uma maneira de estar connosco e de nós estarmos com Ele: Amando e sendo amados, por Ele, com Ele, para Ele, nos outros e para os outros!
 
Por causa deste Seu amor é que eu vivo ainda o Festival Jota, que não me fez mais jovem na idade, mas me fez mais jovem no Amor, me fez mais jovem em Deus.
 
A Ti, Senhor, toda a graça e todo o louvor!
 
 
Marinha Grande, 21 de Julho de 2013
 
Nota:
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quinta-feira, 18 de julho de 2013

«JÁ E AINDA NÃO»

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Um dia destes, reflectindo em tantas coisas da minha vivência diária da fé, veio ao meu pensamento uma frase que ouvi repetidamente nas aulas de Escatologia e me ficou gravada na memória, ou melhor, no coração: «já e ainda não».
Tentei então, mais uma vez, apreender todo o sentido desta frase, que reflecte em palavras muito simples o gozo de Deus, «já», mas «ainda não» na plenitude.
 
Ocorreu-me então a seguinte comparação.
Quando se é criança, por vezes deseja-se muito algo que sabemos poder esperar que os nossos pais nos dêem. Por exemplo, uma bicicleta!
Um dia então, perto do nosso aniversário ou do Natal, os nossos pais podem dizer-nos que, se nos portarmos bem, teremos a tão desejada bicicleta.
O incentivo leva-nos a tentar ter um comportamento irrepreensível, para podermos alcançar aquilo que tanto desejamos.
Mas mesmo antes do dia aprazado para a entrega do presente, já “vivemos” a bicicleta, já dela usufruimos em pensamento, já com ela damos longos passeios, já mesmo sem a ter vivemos momentos intensos de alegria e gozo, como se a pudéssemos montar e pedalarmos por montes e vales em liberdade.
Ou seja, de algum modo «já» vivemos a alegria, o gozo de ir ter algo que ainda não temos, mas que «já» nos faz perceber que, se «ainda não» a tendo já é tão bom, como será quando a tivermos!
Obviamente que a comparação com o «já e ainda não» cristão é pobre, pois comparam-se coisas mundanas com coisas de Deus.
 
Mas a verdade é que este «já» cristão é vivido verdadeiramente por quem está em comunhão com Deus e se faz, por Ele, comunhão com os outros.
Quantas vezes não somos “atingidos” por momentos de intensa alegria e paz, quando vivemos com Deus e para Deus?
 
Mas mais ainda, porque se no caso da comparação da bicicleta o «já» é apenas imaginação, na vivência cristã o «já» faz-se realmente presente em Igreja, nos Sacramentos, muito especialmente na Eucaristia em que podemos viver realmente a presença do Deus vivo, que se faz alimento para nós.
E podemos também vivê-Lo no abraço sentido do irmão a quem ajudámos, no beijo amoroso daquela ou daquele que amamos, dos filhos, graças de Deus, e em tantas, tantas ocasiões em que Deus se faz presente, porque Ele está realmente no meio de nós e em nós.
É então, um «já» muito real, mas «ainda não» em plenitude, para sempre.
 
Mas voltando à comparação da bicicleta, lembremo-nos que há uma condição para obter o presente, e que é o nosso bom comportamento.
 
Para alcançarmos a promessa contida no «ainda não» cristão, também há, se assim quisermos dizer, uma condição, que é fazer a vontade de Deus.
Só que o julgamento de Deus é repleto de um amor que nós não compreendemos, não abarcamos, porque é misericordioso, e mesmo que tenhamos falhado algumas ou muitas vezes em fazer a vontade d’Ele, basta o nosso arrependimento para que tudo se concretize.
 
E de tal maneira Ele nos ama que, alcançar a promessa contida no «ainda não» cristão não depende só de nós, mas sim da sua imensa misericórdia, pois é graça sua conceder-nos essa promessa, porque Ele nos conhece como nós não nos conhecemos, e lê nos nossos corações aquilo que nós não sabemos ler.
Realmente, se o gozo de Deus «já» é tão intenso, “produz” tanta alegria e tanta paz, o que será então na concretização da promessa contida no «ainda não»?
 
Em Ti, Senhor, creio, confio e espero.
 
 
 
Monte Real, 18 de Julho de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 10 de julho de 2013

SEM NADA PARA DIZER?

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Porque me fazes isto, Senhor?
Queria escrever um texto,
esta semana,
e nada,
mesmo nada vem ao meu coração,
ao meu pensamento,
à minha inspiração.
Não queres que eu escreva?
Não queres que eu transmita nada da minha vida diária,
vivida conTigo e para Ti?
 
Devolves-me a pergunta, Senhor,
dizendo-me:
Porquê,
tens alguma a dizer sobre Mim,
sobre o que sou e faço na tua vida?
 
Oh, Senhor,
eu ter tenho,
mas não sei como transmiti-lo!
 
Como se descreve um amor sem limites?
Como se descreve uma alegria intensa,
que é paz e tranquilidade?
Como se descreve a certeza de ter comigo
Aquele que tudo pode
e a Quem nada é impossível?
Como se descreve a possível “impossibilidade”
de chamar o nome de Deus
e saber que sou ouvido?
Como se descreve esta incrível sensação
de me sentir acompanhado na travessia
dos “vales tenebrosos” da minha vida?
Como se descreve este sentimento
de querer ver nos outros irmãos,
filhos do mesmo Pai Criador?
Como se descreve a extraordinária vivência
de ser Igreja Santa,
mesmo sendo pecador?
Como se descreve o reconhecimento estonteante
de ser templo do Espírito Santo?
Como se descreve o saber-me capaz de amar
apesar de todas as imperfeições?
Como se descreve o saber-me capaz de perdoar,
porque me ensinaste o perdão?
Como se descreve o espanto desmedido
de saber que Deus,
o Todo Poderoso,
se faz pequeno e humilde
para me servir de alimento?
 
Vês,
Senhor,
que afinal não tenho nada para escrever,
porque não sei descrever
tudo o que me fazes viver?
 
Obrigado, Senhor!
 
 
Monte Real, 10 de Julho de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

A CATEQUESE (2)

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Com certeza que não se entenda pelo que escrevi no texto anterior, que o ensino da Doutrina não é importante e imprescindível.
Claro que é, porque não se pode amar aquilo que não se conhece, e para se amar Jesus Cristo é preciso conhecer o seu “todo”: o Deus, o Homem, o seu ensinamento, a sua Igreja.
 
Mas, nas nossas vidas, quando amamos os outros, não só precisamos de os conhecer, (o que são e o que pensam), mas também precisamos de privar com eles, conversando, convivendo, celebrando as datas importantes das suas e nossas vidas em conjunto.
E este viver, este conviver, este celebrar, tem sempre alguma emoção, (somos seres emocionais), pois se assim não fosse, como poderíamos nós expressar o nosso sentir no riso, nas lágrimas, e tantas outras expressões que cada situação contém.
Ora se a emoção sem controle pode ser perniciosa, a vida sem emoção não existe, é vazia e sem sentido.
Por isso é necessário também que desde o início da catequese as crianças sejam levadas a viver a emoção de sentir Deus próximo, que não seja um Deus longe e inacessível, mas um Deus perto, com Quem podemos rir, chorar e sentir que Ele ri e chora connosco.
 
E o sentir essa emoção do Deus próximo, tem a muito ver com essa oração pessoal, individual e colectiva, feita de palavras nossas, que constituem um diálogo com Deus contando as nossas vidas, as nossas preocupações e as nossas alegrias.
E ao habituarmos as crianças a rezarem, (falarem com Jesus), de quando em vez em frente do sacrário, não só as leva a esse encontro pessoal e intimo com Deus, mas também lhes dá a “dimensão” da presença de Jesus Eucarístico, “dimensão” tão importante para a Missa se “transformar” num encontro com Deus e não numa celebração “seca” como hoje em dia se diz.
 
Mas para isso, é necessário que nós catequistas tenhamos também essa intimidade com Deus, essa forma de orar dialogando, esse encontro tão pessoal com Jesus, que nos leva a falar d’Ele com paixão, com amor, com testemunho, de tal modo que leve os jovens a perceberem que há um Deus bem real e presente nas nossas vidas.
Com certeza que cada catequista tem a sua espiritualidade, a sua maneira de sentir e viver Deus, mas se por acaso essa vivência não é a de um Deus próximo e presente nas nossas vidas, como podemos nós transmitir a realidade da presença de Deus entre nós e em nós?
Sobretudo, se em casa os pais não são cristãos “activos”, e portanto não o sendo, não são os primeiros catequistas, a criança não terá a mínima ligação com Deus, e se não for levada a “perceber” Deus na sua vida, a catequese transforma-se em mais uma escola, em mais um estudo, em mais uma obrigação, em que é preciso decorar um certo número de coisas, que, ainda por cima, parecem não ter qualquer importância para vida do dia-a-dia.
 
Para se ser catequista não será, portanto, apenas necessário saber o guia de “fio a pavio”, conhecer muitas dinâmicas, “ter jeito” para ensinar, mas para além disso, ser um cristão de vivência diária da fé que testemunha Cristo na sua vida, nas suas atitudes, nos seus gestos, nos seus sentires, na sua entrega e, sobretudo, confiar que é Ele que transforma, que converte, que dá a graça da fé, servindo-se de nós, seus «servos inúteis».
 
Reparemos que muitos pais cristãos convictos e empenhados, podendo não saber muito de catequese, são no entanto aqueles que dão aos filhos os seus primeiros contactos com Deus, e fazem-no de tal forma e com tal paixão, (nas orações da noite, junto à cama, às refeições, etc.), que os seus filhos sentem que Deus faz parte das suas vidas, faz parte das suas famílias, e que é o Guia de amor sempre presente, que os conduz em cada momento alegre ou triste, dando-lhes razão de vida e razão de amor, e portanto vai perdurar para sempre nas suas vidas, mesmo que aconteçam afastamentos mais ou menos longos, como a mim aconteceu.
 
 
 
Nota:
Gostaria que estes textos não fossem entendidos como uma qualquer crítica ou “lição”, (para tal não tenho competência), mas sim fruto de uma reflexão pessoal que vou fazendo ao sabor do que vou escrevendo.
 
 
Marinha Grande, 3 de Julho de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 26 de junho de 2013

A CATEQUESE (1)

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Olho para trás, para a minha vida, e vou-me dando conta de que aquilo que aprendi na catequese, em casa ou nos colégios católicos por onde andei, tinha muito mais a ver com o conhecimento das verdades da Fé e da Doutrina, do que com a vivência interior, intima, da fé que Deus me tinha concedido.
Certo que via nos meus pais uma profunda prática cristã, não só na oração, mas também nos gestos e nas atitudes, mas Deus estava longe, inacessível, e muitas vezes “envolvido” num sem número de práticas e obrigações, que não sendo explicadas no seu conteúdo, não eram vividas, e não sendo vividas eram, como hoje em dia se diz, «uma seca».
Não é portanto de admirar que assim que pude decidir por mim mesmo, (ou assim julgava), me tenha afastado da prática religiosa e, por esse afastamento da Igreja, me tenha também afastado de Deus.
Isso leva-me a pensar nesta verdade de que sem Deus não há Igreja, mas que sem Igreja também o caminho para Deus se perde, mas isso seria uma muito longa reflexão.
 
Passados mais de 20 anos de afastamento, (já por volta dos 44 anos), pela graça de Deus, sem dúvida, comecei a procurar novamente esse Deus que me tinha sido ensinado e do qual me tinha afastado.
E encontrei-O, ou melhor, deixei que Ele me encontrasse, mas agora, mercê de quem então me ajudou e sobretudo de uma procura interior e íntima, encontrei-O próximo, tão próximo, que O sentia e sinto no dia-a-dia da minha vida.
De tal modo que o meu desejo e vontade não é que Ele faça parte da minha vida, mas que a minha vida seja Ele, no sentido de fazer sempre a sua vontade.
E esta vivência diária da Fé, fez-me encontrar a comunhão da/na Igreja, a beleza dos Sacramentos, a força da oração, a paz da confiança, a serenidade da esperança.
E assim, a prática religiosa, deixou de ser “prática”, porque passou a ser vida, o que era “obrigatório”, passou a ser intimamente desejado, o que era impaciente e “aborrecido” passou a ser paz e alegria vivida em comunhão de irmãos com Deus.
E nos momentos menos bons, acontece sempre a certeza de que Ele está ali, ao meu lado, ou melhor, está em mim, e “leva-me ao colo” para passar os “vales tenebrosos”.
 
Obviamente esta reflexão leva-me a pensar na catequese de hoje em dia, (sou catequista do 10º ano), e o modo como a mesma é dada e vivida.
Não tenho pretensões a dar soluções, mas apenas ajudar a reflectir no que será preciso fazer para que a maioria dos jovens não se afastem de Deus e da Igreja, a seguir ao Sacramento da Confirmação.
Parece não restar grandes dúvidas de que o modo como hoje em dia se continua a dar catequese, leva uma grande parte dos jovens a entende-la como uma obrigação, (como ter que andar na escola), e que tem um fim almejado, o Crisma, que é para eles, não um Sacramento de inicio de uma nova vida cristã, mas o fim de uma “aprendizagem” de uns “longos” dez anos, da qual ficam libertos para sempre.
E como catequese se relaciona com a Igreja e com Deus, a “libertação” não acontece apenas com a catequese mas também com tudo o que lhe está associado, ou seja, Deus e a Igreja.
Sem vivência interior da fé, o “apenas” conhecimento não se torna vida e se não se torna vida, é facilmente “descartável”.
Sem o encontro pessoal com Jesus Cristo, o conhecimento é “apenas” saber, não se torna em ser e em viver.
 
Como fazer então?
Julgo que em primeiro lugar a prática da oração é muito importante.
Ao mesmo tempo que se ensinam as orações da Igreja, dever-se-ia levar os jovens, logo desde o início, da mais tenra idade, a falarem com Jesus Cristo, na sua linguagem normal, como a um amigo a quem tudo se conta e com quem sempre se conta.
Esta proximidade com Jesus Cristo, (muitas vezes junto ao sacrário), leva a uma intimidade, a uma interioridade, que apenas o ensino da matéria não consegue alcançar, e torna mais “apetecível” o momento da catequese.
Esta prática de oração, este “tu cá, tu lá” com Jesus Cristo, leva ao encontro pessoal com Ele, fá-Lo próximo, torna-O presente em cada momento, e assim sendo Alguém a Quem desejamos ter sempre por perto, ter sempre connosco.
 
 
 
 
Nota:
Continua na próxima semana, se Deus quiser!
 
 
Marinha Grande, 25 de Junho de 2013
Joaquim Mexia Alves
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

«DAR-TE-EI AS CHAVES DO REINO DO CÉU…» Mt 16, 19

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Nos últimos tempos temos visto, ouvido e lido, diversas entrevistas, ilustrações e textos comparando o Papa Francisco com os seus antecessores.
Daí não viria mal ao mundo, se a maior parte dessas entrevistas, ilustrações e textos tivessem um pendor positivo, de união e comunhão, mas infelizmente, por detrás, está uma tentativa de comparar Papas, para elogiando um, criticar os outros.
E o problema é que sendo muitas dessas publicações feitas por pessoas que não são Igreja e nem sabem o que é a Igreja, (nem lhes interessa, pois a finalidade é de alguma forma criticar a Igreja), outras são dadas a conhecer por quem se diz Igreja, alguns até com responsabilidades muito específicas na Igreja.
 
E é triste que assim seja!
 
Sou ainda do tempo de Pio XII, e assim sendo já vivi os pontificados de sete Papas, pelo que posso utilizar para os “definir” uma frase muito usada hoje em dia: «todos diferentes, todos iguais.»
Todos diferentes, porque todos têm as suas diferentes personalidades enquanto homens, que os leva forçosamente a reagir de modo diverso às diferentes situações e problemas que lhes são/foram colocados.
Todos iguais, porque todos são/foram conduzidos pelo Espírito Santo, na mesma Doutrina da Igreja Católica.
 
Foi o Espírito Santo que conduziu PioXII na sua acção, durante a Segunda Grande Guerra, salvando vidas de um modo tão subtil, que ainda hoje o acusam de ter colaborado com o regime nazi.
Foi o Espírito Santo que conduziu João XXIII na sua provecta idade, a convocar o Concílio Vaticano II, um dos concílios mais importantes da história da Igreja.
Foi o Espírito Santo que conduziu Paulo VI a sair do Vaticano, viajando pelo mundo, levando a Palavra de Deus.
Foi o Espírito Santo que conduziu João Paulo I a, no seu curto pontificado, ter deixado a imagem de um sorriso que a todos tocou.
Foi o Espírito Santo que conduziu João Paulo II no seu modo de agir, que se revelou tão decisivo na modificação política da Europa do Leste.
Foi o Espírito Santo que conduziu Bento XVI a, numa demonstração de imensa humildade, resignar ao seu pontificado.
É o Espírito Santo que conduz agora Francisco nas suas atitudes e gestos, que tanto admiram, sobretudo, os que vivem fora da Igreja e desconhecem as “surpresas” do Espírito de Deus.
 
Obviamente que tais descrições não esgotam, nem de perto nem de longe, os pontificados destes Papas do meu tempo.
 
Para quê, então, fazer comparações, querendo que uns sejam “bons” e outros não tão “bons”!
É que estas comparações assim feitas com “ligeireza”, longe de edificarem e unirem, apenas destroem e dividem, voltando uns contra outros, como se um católico pudesse ser adepto de um Papa em detrimento de outro!
Claro que podemos ter os nossos gostos, baseados na nossa forma de ser, agir e relacionar com os outros, mas para cada membro da Igreja o Papa é o Sucessor de Pedro, o Vigário de Cristo na terra e como tal o Pastor que nos conduz.
 
Em vez de fazermos estes “exercícios” que para nada servem, demos graças a Deus, porque sempre nos deu o “Pedro” certo, no tempo em que a Igreja dele necessitava e necessita.
 
Já São Paulo nos afirmou na 1ª Carta aos Coríntios:
«Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo… Tudo isto, porém, o realiza o único e mesmo Espírito, distribuindo a cada um, conforme lhe apraz.» 1 Cor 12, 4-11
 
 
Marinha Grande, 19 de Junho de 2013
Joaquim Mexia Alves
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