terça-feira, 15 de maio de 2012

«DEPOIS, VEM E SEGUE-ME»

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Quando se punha a caminho, alguém correu para Ele e ajoelhou-se, perguntando: «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?» Jesus disse: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um só: Deus. Sabes os mandamentos: Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes, honra teu pai e tua mãe.»
Ele respondeu: «Mestre, tenho cumprido tudo isso desde a minha juventude.» Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele e disse: «Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.» Mas, ao ouvir tais palavras, ficou de semblante anuviado e retirou-se pesaroso, pois tinha muitos bens. Mc 10, 17-22


Também eu perguntei: «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?»

E obtive a mesma resposta: «Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.»

Então respondi-Lhe: Mas, Senhor, Tu sabes que depois de todos aqueles problemas porque passei, fiquei praticamente sem nada! E sabes também que de algum modo ainda tento dar alguma coisa do pouco que tenho, que, reconheço, é apesar de tudo mais do que o que muitos têm!

Mas Ele respondeu-me com um olhar cheio de ternura: Eu sei que tu já não tens esses bens, que também já não tens essa tal posição social que esses bens te davam, que vives com o que tens e que ainda partilhas alguma coisa daquilo que tens, mas meu filho, continuas agarrado ao que tiveste, de tal modo que colocas em tudo isso, numa qualquer possibilidade da recuperação de tudo isso, a tua felicidade no futuro!

Baixei os olhos, reconheci a verdade do que era dito, e retorqui: Mas, Senhor, é errado sonhar com voltar a ter aquilo que já tive?

E Ele cheio de paciência respondeu-me: Não, meu filho, não é errado! Mas ganhas alguma coisa em sonhar assim? Afinal em que acreditas tu? Acreditas que são os bens do mundo que te levam à vida eterna, à felicidade, ou que esse caminho é seguires-me com a vida que Eu te dou e encho do meu amor, aceitando o teu dia-a-dia no trabalho que coloco nas tuas mãos?

O diálogo continuou: Mas sabes, Senhor, por vezes tenho medo do futuro, tenho medo de ficar sem o pouco que ainda tenho, tenho medo de não saber como fazer, de não saber como viver!

Colocou-me ternamente a mão sobre o ombro e disse: Alguma vez te faltei? Alguma vez te faltei naquilo que é realmente importante na tua vida? Alguma vez não me sentiste ao teu lado? Até mesmo naqueles momentos de secura, não acreditaste sempre que Eu estava ali contigo, embora não Me sentisses?

Envergonhado respondi: Não, Senhor, sempre acreditei que estavas comigo em todos os momentos, embora por vezes me sentisse só!

Obrigou-me a sentar e olhando-me nos olhos, disse: Lembras-te quando tudo aconteceu, como sentiste o teu mundo desmoronar-se? Lembras-te como Me procuraste em cada momento, em cada palavra, em cada sinal, em cada celebração? Lembras-te que Me procuravas, mais procurando o meu amor para alcançares a paz, a aceitação de tudo, do que para pedires o retrocesso do que tinha acontecido? Naquela altura querias sentir apenas o meu amor, a minha presença junto de ti. Porque é que agora não te chega o meu amor?

Olhei-O e disse num murmúrio: É que tenho medo, Senhor! Ou será orgulho e vaidade? Ou será tudo misturado? Parece-me que aquilo que tinha era meu por direito, que fazia parte tão importante da minha vida que me é impossível separar-me de tudo, nem que seja mesmo só sonhando!

Estreitou-me nos seus braços com carinho: Não vês, meu filho, que todos aqueles bens são perecíveis, são efémeros? Não percebes que te entregas agora muito mais a Mim do que naquele tempo? Podes por acaso comprar nem que seja um pouco da vida eterna com aqueles bens? O que te falta? Falta-te amor? Falta-te a família? Faltam-te amigos verdadeiros? Falta-te algo verdadeiramente imprescindível na tua vida? Não me tens a Mim sempre junto de ti e entregando-me a ti e por ti na Eucaristia?

Afastou-me um pouco d’Ele, olhou-me profundamente, e disse: Vai, repousa no meu amor, confia em Mim, recorda o teu passado como algo de muito bom que te dei, mas confia agora apenas no futuro que em ti coloco, em tudo o que te dou, e … «depois, vem e segue-me.»

Abri os braços e clamei: Louvado sejas, Senhor!



Monte Real, 15 de Maio de 2012


Nota:
Escrito baseado na realidade da minha vida, reflectindo interiormente nas minhas fraquezas.
Por vezes os bens, mesmo já não os tendo, ainda nos agarram ao passado do mundo, acabando por ser tantas vezes quase “deuses” que mandam nas nossas vidas, não nos deixando caminhar abrindo-nos ao amor de Deus, à confiança em Deus, à esperança em Deus.
E esse “bens”, são desde coisas materiais perdidas, a pessoas queridas que já partiram, a situações vividas, que deixamos “amarrarem-nos” ao passado, impedindo-nos de uma entrega total a Deus, condicionando assim a nossa liberdade e a nossa felicidade.
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terça-feira, 8 de maio de 2012

RECONHECÊ-LO AO PARTIR DO PÃO

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«E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença.» Lc 24, 30-31



Ao «partir do pão, reconheceram-no»!

E nós, Senhor, reconhecemos-Te ao «partir do pão»?
Ou aquele gesto sublime, (memorial do teu gesto naquela Ceia), realizado pelo sacerdote, não passa de uma celebração repetida a que “assistimos”, já nem sabemos bem porquê, se por tradição, se por obrigação, se por “medo” ou se porque acreditamos mesmo?

Porque é que eles Te reconhecem ao «partir do pão»?
Eram melhores do que nós? Tinham mais fé? Viam-Te e tocavam-Te?
Mas eles estavam desiludidos?! Eles já não acreditavam que Tu tinhas ressuscitado?!
E depois de Te reconhecerem, desapareceste da sua presença?!

Então, Senhor, que tinhas Tu feito, para que apesar dessa descrença, dessa desilusão, eles Te pudessem reconhecer ao «partir do pão»?
Tinhas-lhes explicado as Escrituras?
Pois tinhas, Senhor, ao longo daquele caminho todo, da Jerusalém renascida pela Tua Ressurreição, à Emaús do nosso descontentamento incrédulo!
Do nascer, do acreditar, do alegrar-se, ao duvidar, ao desistir, ao morrer para a própria vida!
Aquele caminho foi toda uma vida, ao longo da qual lhes explicaste as Escrituras!
Por isso eles Te reconheceram ao «partir do pão», por isso nasceram de novo, alegraram-se de novo e anunciaram-Te com a força da fé, alicerçada na Palavra.

Mas a nós, Senhor, também nos é explicada a Palavra, sempre que nos reunimos no memorial da tua Ceia!
Mas estamos “distraídos”!
Mas não abrimos os nossos ouvidos e os nossos corações ao Deus que fala, mas apenas ao homem sacerdote que prega, e, por isso, julgamos, opinamos, e decidimos se gostámos ou não do que ouvimos.
Ouvimos o homem, mas não ouvimos o Deus que nos fala através do homem!
Ouvimos com os ouvidos as palavras “humanas”, mas não “ouvimos” com o coração a Palavra divina!

Então não nos pode «arder o coração» enquanto nos é explicada a Palavra, e se não nos «arde o coração», como queremos nós reconhecer-Te ao «partir do pão»?
Então, Senhor, decidimos nas nossas mentes que a Eucaristia é a consagração e a comunhão, e todo o resto é “acessório”!

Mas, Senhor, se aqueles discípulos não tivessem caminhado contigo, (e Tu com eles), todo aquele caminho, (do nascer ao morrer), e se a eles não Te tivesses revelado na Palavra, como poderiam eles ter-Te reconhecido ao «partir do pão»?
E não foi ao longo desse caminho que eles nasceram para a vida e morreram para a vida, que os levava a Emaús?
E não foi ao longo desse caminho que eles nasceram para Ti e morreram em Ti, alcançando a nova vida, que lhes permitiu reconhecer-Te ao «partir do pão»?

Todos os dias, Senhor, fazes esse caminho connosco em cada Bíblia que abrimos e lemos, (meditando), em cada palavra amiga e conselheira que nos é dada por aqueles que aproximas de nós, em cada oração que colocas nos nossos lábios, vinda do coração. 
Todos os dias, Senhor, nos explicas as Escrituras em cada Eucaristia que celebramos verdadeiramente.

Ah, Senhor, abre o nosso entendimento, derruba as barreiras da nossa incredulidade, faz-nos «arder o coração», para Te reconhecermos ao «partir do pão»!

E mais ainda, porque aqueles que caminhavam para Emaús, (mesmo depois de teres «desaparecido da sua presença»), levantaram-se e caminharam para Jerusalém, onde alegremente anunciaram a tua Ressurreição.

Por isso, Senhor, depois de Te reconhecermos em cada Eucaristia verdadeiramente celebrada, faz com que A continuemos a viver, no verdadeiro e alegre anúncio da Tua presença no meio de nós.



Monte Real, 8 de Maio de 2012
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

O BOM PASTOR E A MÃE

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Senhor,

Tu és o Bom Pastor, dás a vida pelas tuas ovelhas e nós recolhemo-nos no teu redil, porque só nele encontramos paz e amor.

No pequeno rebanho doméstico, dás-nos também, Senhor, a figura do Bom Pastor nas pessoas dos nossos pais.

Se na figura do pai nos dás um guia e um protector, na figura da mãe dás-nos o tudo que é o amor.

A mãe é aquela que nos dá a vida e dá a vida pelos seus filhos.

A mãe é aquela que nos faz sentir pela primeira vez as delícias do amor, da ternura, do carinho.

A mãe é aquela que pela primeira vez nos alimenta e nos ensina.

A mãe é aquela que permanentemente por nós intercede, não só junto de Ti, Senhor, mas também junto de todos aqueles que são importantes para a vida dos seus filhos.

A mãe é aquela que tantas vezes no silêncio, sofre pelos seus filhos e se dá inteiramente por eles.

A mãe é imagem d’Aquela que junto à Cruz, nos quiseste dar como nossa Mãe.

Louvado sejas, Senhor, pela mãe que me deste e que junto a Ti agora, continua a interceder por mim e por todos os filhos, com todas as outras mães que a Ti se acolhem.

Louvado sejas, Senhor, pelas mães que hoje o sejam pela primeira vez e por todas aquelas que o continuam a ser.

Louvado sejas, Senhor, pela Tua Mãe e por cada uma das mães que o foram, que o são e que o hão-de ser.

Amen.


Nota:
Havendo esta feliz coincidência de, ao Domingo do Bom Pastor, se seguir o Domingo Dia da Mãe, recupero esta oração que escrevi de 2009.
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terça-feira, 24 de abril de 2012

COMO JESUS SE DÁ A CONHECER

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«Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.» Lc 24, 39

«Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor.» Jo 20, 20

Nestes versículos dos Evangelhos dos dois últimos Domingos, (de São Lucas e São João), percebemos que Jesus se dá a conhecer pelos sinais da sua Paixão e Morte, ou seja, os sinais dos cravos nas mãos e nos pés e o sinal da lança no seu peito.

É assim que Jesus se dá a conhecer aos seus discípulos!

No entanto poderia dar-se a conhecer como na Transfiguração, por exemplo, ou de tantas outras maneiras que não lhes deixariam dúvidas.
Mas quis dar-se a conhecer assim, deste modo, para que soubessem que o Jesus Cristo que tinha sofrido a Paixão e a Morte era o mesmo Jesus Cristo agora ressuscitado.

Mas também para lhes mostrar, para nos mostrar, que o Cristo glorioso não deixa de ter em si as marcas da Paixão e Morte na Cruz.

Muitos de nós procuramos Deus, “apenas” à procura de uma vida mais fácil, de uma vida sem “dores”, sem problemas, sem contrariedades de qualquer espécie.
Mas a nossa vida aqui na terra é assim, frágil, e com tudo aquilo que é inerente à vida na terra, ou seja, o nascer, o viver e o morrer.
E o viver tem dores, tem sofrimentos, alguns causados por nós próprios e alguns causados pelos outros.

E Jesus ao identificar-se com os sinais da Paixão e da Morte, diz-nos, mostra-nos, que apesar da dor, do sofrimento e da morte, há a Ressurreição, há a vida eterna, a vida em plenitude, onde não haverá mais sofrimento, nem dor, mas apenas e “só” amor.

São Paulo afirma: «Mas, se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos.» Rm 6, 8

«Morrer com Cristo» é viver em comunhão com Ele, é viver por Ele, é viver para Ele, e por isso mesmo, se nos unimos, (com as nossas dores e sofrimentos), à Cruz de Cristo, também com Ele viveremos a alegria da Ressurreição.

Se «morremos em Cristo», então estamos em comunhão com Ele e assim é Ele o nosso Cireneu, Aquele que nos ajuda a suportar e a carregar a nossa cruz.

E Jesus Cristo, pelo amor infinito que nos tem, carrega sempre com “maior parte” da nossa cruz, por isso mesmo nunca suportamos uma cruz maior do que as nossas forças.

«Não vos surpreendeu nenhuma tentação que tivesse ultrapassado a medida humana. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar.» 1 Cor 10, 13


Monte Real, 23 de Abril de 2012

Nota:
Reflexão suscitada por uma homília do Padre Armindo Ferreira, pároco da Marinha Grande.
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terça-feira, 17 de abril de 2012

"ORANDO EM VERSO"

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Da direita para a esquerda: Padre Pedro Viva, (Vigário Paroquial, de pé) Prof. Doutor Mário Pinto, Joaquim Mexia Alves, Padre Armindo Ferreira, (Pároco da Marinha Grande), Irmão Darlei, (Paulus)



Feita a apresentação do livro, é agora necessário vendê-lo, visto que a receita dessa venda se destina a uma boa causa, a construção do Centro pastoral da Marinha Grande. 

A construção do Centro Pastoral da Marinha Grande é uma premente necessidade, porque, para além da Paróquia não possuir nenhuma sala “nobre” de dimensões razoáveis, (como se percebeu na recente visita pastoral do Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto), as salas da catequese são exíguas e inapropriadas, tendo até em vista que só no centro da Marinha Grande há mais de 300 catequizandos.

Para que com alguma comodidade se possa adquiri o livro via net, criámos um endereço electrónico, orandoemverso@gmail.com para receber esses pedidos de aquisição.

Esses pedidos serão respondidos dando indicação do NIB da conta da paróquia para onde dever ser feita a transferência do valor do livro, (e deste respectivo valor), que será depois enviado pelo correio.

Para quem o desejar o livro será “dedicado” e autografado, bastando para tal fazer essa menção.

Muito obrigado, acreditando que compreenderão esta minha iniciativa.
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“PERCENTAGENS” DE CATÓLICOS???

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A maioria dos jornais que temos, rejubila nos seus títulos, que os católicos são cada vez menos em Portugal!
Ora este cada vez menos, dá a entender que, sendo já poucos, estariam os católicos a desparecer!

E, no entanto, dizem as mesmas notícias que deixaram de ser 86,9%, para passarem a ser “apenas”, calculem, 79,5%!!!

Depois as notícias são manipuladas e usam termos como “maioria dos inquiridos”, mas que lendo atentamente, acaba por perceber-se que afinal esta “maioria dos inquiridos” se refere apenas a uma categoria específica!

Enfim, o nosso “bom” jornalismo, ao serviço da “maioria” dos Portugueses, como podemos perceber pelos números do estudo em causa, 79,5%!

Mas o mais importante, não percebem eles, os jornalistas, (que não percebem nada da Igreja Católica nem se dão ao trabalho de tentar perceber), é que a Igreja Católica não é uma qualquer agremiação ou associação, onde se contabilizam os sócios, e onde, portanto, se fica muito satisfeito porque se alcança um determinado número de associados.

O que eles não entendem, porque não conseguem perceber, é que o “número ideal” para a Igreja Católica é … todos!
É que Jesus Cristo fez-se Homem, sofreu a Paixão, a Morte e Ressuscitou, para salvação de todos os homens e não apenas de uns quantos.

Mas como não percebem, (como infelizmente também não percebem alguns católicos), julgam que tudo isto é uma questão de “marketing”, uma questão de mudança de estratégia, leia-se … mudança de Doutrina.

Pois claro, se a Igreja autorizasse o preservativo, concedesse o divórcio, promovesse a promiscuidade, etc., etc., com certeza, teria muito mais “adeptos”, e o número de “associados” aumentaria muito, julgam eles.

Pois, talvez fosse assim, mas já não seria a Igreja Católica, a Igreja fundada em e por Jesus Cristo, e acredito eu, em vez de aumentar os seus membros, vê-los-ia diminuir drasticamente.

É que a Igreja não tem “adeptos”, nem “associados”, tem crentes, tem fiéis, é a assembleia dos baptizados, e como tal, tem uma Doutrina que é a sua, mas que não lhe pertence, pois é Doutrina de Cristo, o próprio Deus feito Homem.

E por não lhe pertencer, não a pode mudar ao sabor dos tempos, porque é Doutrina assente no Amor de Deus, por Ele revelada, e o Amor de Deus é eterno e como tal não muda com o tempo, porque o tempo para Deus é a eternidade.

O que pode e deve mudar, isso sim, é o verdadeiro testemunho dos cristãos católicos, que sendo discípulos de Cristo, o devem ser em Igreja, celebrando, mas também e sempre, no dia-a-dia da vida em família, no trabalho e em sociedade.

Só com esse verdadeiro testemunho de discípulos de Cristo, sendo Igreja Corpo Místico de Cristo, (que belo é o ensinamento de São Paulo: «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria.» 1 Cor 12,26), a Igreja pode ser e será, a imagem da primeira comunidade cristã, tão bem descrita nos Actos dos Apóstolos:

«Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, o temor dominava todos os espíritos. Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um.
Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação.» Act 2, 42-47

Assim, sem dúvida, «o Senhor aumentará, todos os dias, o número dos que hão-de entrar no caminho da salvação.»


Monte Real, 17 de Abril de 2012
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sexta-feira, 13 de abril de 2012

UMA MEMÓRIA VIVIDA (2)

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A minha irmã Belinha, (Isabel), faria hoje anos.

Há já muitos anos que não festeja aniversários, porque o tempo para ela é a eternidade, é o Todo, em comunhão com o Tudo.

Ficou-nos a saudade, que se vai libertando da dor, para apenas realçar o amor.

E a Belinha era amor! Oh, se era!

Aquela bondade no trato, aquela forma “desconcertantemente” alegre de parecer não se preocupar com o dia-a-dia, (vivendo a Palavra «Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?» Mt 6, 27), aquele dar-se aos outros, aquele jeito nato de tratar com as crianças, aquela boa vontade com tudo e com todos, faziam da Belinha uma mãe, uma filha, uma irmã e uma amiga de inteiro amor.

A sua criatividade era sem limites, sobretudo para agradar aos outros, especialmente à família.

Lembro-me uma vez, (teria os meus 13/14 anos), de ir passar uns dias à sua casa a Caminha, onde o João Maria, seu marido, exercia funções de Magistrado Judicial.
Num desses dias, tinha-se programado uma ida à praia, só que o dia nasceu cinzento e chuvoso.
Mas a Belinha e o João Maria não se atrapalharam, e indo buscar um plástico grande, colocaram-no no chão da sala, onde acabaram por colocar areia e uma bacia larga cheia de água salgada. Estava feita a praia!!!

Lembro-me dos biscoitos “bêbados” que a Belinha fazia e vem-me água à boca!
Tinha que os esconder de mim, pois uma caixa inteira teria uma existência muito efémera!

A Belinha, para além de minha irmã, era também minha madrinha de Baptismo, e quando, ao fim de muitos anos de afastamento, eu me reencontrei com Deus, ou melhor, deixei que Ele me reencontrasse, tivemos longas conversas onde fui descobrindo nela uma profunda e vivida fé, que conversada e testemunhada por ela, muito me ajudou a encontrar caminhos de sensatez no meio da “excitação” de fé, que eu então vivia.

Partiu cedo, para junto de Deus, sem dúvida para interceder por nós, que ainda não estamos preparados para esse encontro de graça.

Fico-me por estas duas recordações que hoje quiseram vir ao meu pensamento, porque as outras, são recordações do coração e para essas, não há palavras que as consigam descrever.

Decididamente a minha família, meus pais e nove irmãos, vai-se mudando calmamente para o Céu!

Monte Real, 13 de Abril de 2012
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

CONVITE A TODOS!

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Por sugestão da Câmara Municipal da Marinha Grande foi alterado o local para a apresentação do meu livro, que assim passa a ser no

Pavilhão do Museu Joaquim Correia

conforme convite.

Este Museu fica mesmo ao lado da igreja matriz da Marinha Grande.
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terça-feira, 10 de abril de 2012

«EU VI O SENHOR!»

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Hoje, ao ler o Evangelho do dia, (Jo 20,11-18), ficou-me gravada no coração esta frase: «Eu vi o Senhor!»

Jesus tinha enviado Maria Madalena a proclamar aos discípulos a Boa Nova da sua Ressurreição.
E Maria Madalena anunciou-lhes de imediato: «Eu vi o Senhor!», contando-lhes depois o que o Senhor lhe tinha dito.

Então este é o anúncio necessário, o anúncio que todos devemos fazer e proclamar: «Eu vi o Senhor!»

Com efeito, neste anúncio, tudo está contido!

Se eu vi o Senhor é porque Ele está vivo e no meio de nós.
Se eu vi o Senhor é porque Ele se encontrou comigo e eu me encontrei com Ele.
Se eu vi o Senhor é porque Ele falou comigo e eu falei com Ele.
Se eu vi o Senhor e Ele me enviou a anunciar a Boa Nova, é porque Ele quer precisar de mim e de cada um que também O vê.

Claro que Maria Madalena viu o Senhor não só com os olhos do corpo, mas também com os “olhos” do coração.

Nós vemos “apenas” com os “olhos” do coração, mas esse ver é tão importante, tão decisivo que o próprio Senhor nos disse: «Felizes os que crêem sem terem visto!» Jo 20, 29

É que se eu vejo apenas com os olhos do corpo, posso sentir ou não, o que vejo, e portanto esse ver, pode ou não ter importância na minha vida.
Mas se eu vejo com os “olhos” do coração, então eu sinto, e esse ver torna-se importante na minha vida, torna-se parte da minha vida.

Ora ver o Senhor, é ver o Amor!

E o Amor não se guarda, não se aferrolha num cofre, o Amor dá-se, partilha-se, torna-se testemunho do Bem e da Verdade, porque o Amor é sempre Bem e Verdade.

No mal e na mentira, não existe amor.

A missão do discípulo é, assim, anunciar o Amor, é anunciar que Jesus Cristo ressuscitou e está vivo no meio de nós, e só no cumprimento desta missão o discípulo vive pelo Amor, vive no Amor, vive para o Amor.

Por isso, minhas irmãs e meus irmãos, eu vos anuncio: «Eu vi o Senhor!»


Monte Real, 10 de Abril de 2012
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domingo, 8 de abril de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

QUINTA FEIRA SANTA

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Nas tuas doces mãos
colocas o Pão do amor.

Olhas enternecido para os teus,
fitas neles o teu olhar,
e em cada um deles,
vês um de nós,
daqueles que agora existem,
e os mais que hão-de vir.

Docemente,
em oração profunda,
proferes as palavras,
que tornam em Ti o pão,
que fazem do vinho o teu Sangue!

Oh que sublime momento,
em que dando-lhes o Pão a comer,
o Vinho abençoado a beber,
lhes abres o coração,
fazes-Te para todos alimento.

«Quem comer deste Pão,
quem beber deste Vinho,
terá a vida eterna»,
dizes Tu,
olhando-nos nos olhos,
estendendo-nos a tua mão,
num sussurro de mansinho,
feito de Palavra terna.

E eu,
ali presente,
no Pedro, no João,
no André,
um nada que ninguém vê,
a não ser o teu coração,
que me acolhe docemente,
que me aperta e me ama,
de um modo tão ingente,
que me faz acreditar,
e torna a minha incerteza
numa inabalável fé.

Sim,
é verdade,
eu estive na Última Ceia,
dela participo em cada dia,
em que saindo das dúvidas,
me entrego todo inteiro,
na Santa Eucaristia.



Monte Real, 04 de Abril de 2012
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