segunda-feira, 30 de julho de 2012

O TRABALHO E AS FÉRIAS

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Depois de umas curtas férias, regressei hoje ao trabalho.

A meio da manhã dei por mim a pensar como é “banal” este regresso ao trabalho depois de umas férias, como se fosse uma coisa normal, uma coisa a que não se dá grande importância, porque faz parte do dia-a-dia de cada um.

Pois, … mas o problema é que logo pensei que afinal não faz parte do dia-a-dia de cada um!

Afinal há muitos “uns” que não regressam ao trabalho por duas razões muito simples: porque não têm trabalho e porque não têm férias!

Mas nós, os que beneficiamos destas duas coisas, trabalho e férias, nem sequer nos apercebemos do bem que temos, da graça que usufruímos.
Parece-nos assim como algo que vem com a vida, que é um direito adquirido, que não nos pode ser retirado ou excluído.

Parece algo que nos pertence por mérito nosso!
Mas então entre aqueles que não têm trabalho não há gente como muito mais mérito do que nós?
E no entanto… não têm trabalho, não têm férias!

Não nos diz São Paulo que em tudo devemos dar graças?
«Em tudo dai graças» 1 Ts 5, 18

Então demos graças pelo trabalho que temos, pelas férias, (grandes ou pequenas), que gozamos, pelo dom da vida que Deus nos deu.

Mas essas graças nunca ficarão completas, se não nos lembrarmos dos nossos irmãos que não têm trabalho, nem férias, e por isso, com o mesmo empenho com que agradecemos, intercedamos por aqueles que sofrem, porque não têm trabalho, porque não têm férias.

Senhor,
dou-Te graças pelo trabalho que colocas nas minhas mãos e pelas férias que me permitiste ter.
Mas custa-me, Senhor, que tantas irmãs e tantos irmãos, teus filhos, não tenham trabalho, não tenham férias.
Por eles Te peço, Senhor, para que na tua infinita bondade lhes concedas a dignidade do trabalho, que lhes permita umas merecidas férias.
Peço-Te, Senhor, por aqueles que estão à frente dos destinos das nações e das empresas, para que tenham o necessário discernimento, entendendo que sem trabalho o homem não se realiza, não se completa.
Que aqueles que muito ganham, se preocupem em ganhar menos, para que chegue o trabalho e o justo salário àqueles que nada têm.
E que nós, que usufruímos desses “bens”, saibamos sempre dar graças e interceder constantemente por aqueles que deles não beneficiam.
Amen.
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domingo, 22 de julho de 2012

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "ORANDO EM VERSO"

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Apresentação do livro «Orando em Verso», na Capela das Termas de Monte Real, em 7 de Julho.

Palavras do Padre José Carlos Nunes, Superior dos Paulistas em Portugal

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Saúdo os presentes com grande amizade e estima.

Manifesto a honra e alegria em ter publicado e apresentar esta obra em Monte Real, lugar que me é tão querido.

Sobre o autor deste belíssimo livro tenho apenas a sublinhar o que foi escrito na Introdução, pelo Pe. Armindo Castelão Ferreira (Pároco da Marinha Grande) e no Prefácio, pelo Dr. Mário Pinto (Professor Universitário Jubilado): «todos os escritos que conheço dele são um hino de louvor e ação de graças ao Senhor», «A poesia de Mexia Alves chama-nos para o dizer e o gozar abertos e peregrinos da Beleza e do Bem infinitos que estão no Outro», «Joaquim Mexia Alves tem uma vocação forte, como forte são nele a natureza e o carácter: na estatura, na voz, no gesto, na actividade, no destemor, na exuberância», « a oração do Joaquim Mexia Alves ganha beleza poética formal a partir da beleza da substância da oração que está dentro».

O homem reza desde que o mundo é mundo, e algumas orações foram transmitidas de uma língua para outra e de uma época cultural para outra.

Se é verdade que deve haver momentos em que nos dediquemos completamente à oração, também é verdade que nenhum momento da nossa vida se pode considerar desligado da oração. Se estamos habituados a rezar para que nos corra bem um exame ou para que tenhamos saúde, não sentimos necessidade de rezar quando não temos nenhuma necessidade importante. Mas afinal o agradecer não é também uma necessidade? E cada instante da nossa vida não é um tempo propício para agradecer? Se nos consideramos como o centro de tudo, achamos que os outros é que nos devem agradecer. Mas se sentimos que fazemos parte da família humana, se somos bons companheiros de viagem para os outros, e se os outros o são para nós; se temos alguma sensibilidade e conseguimos ver o bem que nos rodeia, então é fácil interpretarmos a ordem que nos impele a rezar sempre e a irmos para além da vida que estamos a viver sobre a terra, e a dilatar a nossa oração, transformando-a numa atitude de agradecimento por nós e por quem nos rodeia.
Pág. 13 – “Rezar”

A Bíblia é o principal ponto de referência para toda a forma de oração cristã. Ela explica-nos porque razão devemos rezar, quando devemos rezar, como rezar, a quem rezar, não através de indicações teóricas, mas seguindo a experiência de homens e de mulheres que, tendo encontrado Deus na sua vida, passaram momentos com Ele.
Pág. 55 – “Salmo de louvor ao meu Senhor”

Na Bíblia encontramos facilmente grandes exemplos de oração, e nomes de grandes “orantes”: Abraão, Moisés, Jeremias, Job… O Livro dos Salmos pode definir-se todo ele como uma rica e variada recolha de orações, capaz de exprimir todas as situações em que o orante se possa vir a encontrar. E o Joaquim Mexia Alves segue esta linha.
Pág. 44 – “Tenho o coração nas mãos”

No Novo Testamento encontramos sobretudo as atitudes e as orações de Jesus, Filho de Deus e mediador privilegiado de toda a relação entre nós e o Pai Celeste. Se é verdade que do nosso modo de rezar se pode compreender o que pensamos de Deus, e qual a imagem que temos de Deus, quando nos aproximamos de Jesus e da Sua oração aprendemos o caminho para uma oração completa e gratificante.

Jesus rezava. Ele pertencia a um povo que sabia rezar, o povo que criou o Livro dos Salmos e encontrou na prática de oração de Israel a norma que modelou a própria fé. A oração de Jesus é uma oração muito pessoal, na qual Ele Se dirige a Deus chamando-Lhe «Papá», com a intimidade e confiança contida no termo aramaico Abba e, o Pai responde entrando em diálogo com Ele: «Tu és o Meu Filho, Eu hoje Te gerei».

Foi a partir da Sua experiência de oração que Jesus ensinou os Seus discípulos a rezar, e fê-lo através de uma interpretação autorizada do ensino relativo à oração contido na Escritura e na Tradição por Ele recebida. É, portanto, essencial para a oração autêntica acolher os conselhos para a oração dados por Jesus aos discípulos e escutados por estes, conservados, transmitidos às comunidades cristãs, e por isso vividos pelos crentes até serem depositados como Escritura nos Evangelhos. Estas indicações são ainda hoje as linhas espirituais e pastorais necessárias à oração cristã. Jesus resumiu o Seu ensinamento na oração do «Pai Nosso», definido com razão «compêndio de todo o Evangelho» (Tertuliano, A oração, 1,6). Na verdade, o Pai Nosso – que nos foi transmitido em duas versões por Mt 6,9-13 e Lc 11,2-4 –, mais do que uma fórmula rígida, constitui uma síntese das indicações de Jesus espalhadas como sementes nos quatro evangelhos: é um traçado, uma matriz, um cânone capaz de recapitular o essencial da oração cristã. Pág. 64 – “Pai Nosso, no Filho”

«Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto não descansar em Vós.» (Confissões, I,1,1) Esta afirmação de Santo Agostinho, tão célebre e repetida de geração em geração, pode resumir bem o fundamento colocado à oração cristã pela época dos grandes Padres até aos nossos dias. Nesta perspectiva, a oração exprime o desejo do bem supremo que habita o homem, e é entendida como movimento do coração em direcção ao infinito, ao eterno, ao absoluto.

A oração cristã é, em primeiro lugar, escuta para chegar ao acolhimento de uma presença, a presença de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. A operação é simples, mas nem por isso é fácil; pelo contrário requer a capacidade de silêncio interior e exterior, sobriedade, luta contra os múltiplos ídolos que nos ameaçam.

A oração brota onde há escuta: «Fala, Senhor, que o Teu servo escuta» (1Sm 3,9): é este o primeiro acto da oração que nós, infelizmente, somos tentados constantemente a inverter para «Ouve, Senhor, que o Teu servo fala.» Sim, a escuta é oração e tem primazia absoluta, enquanto reconhece a iniciativa de Deus, o facto de que Deus é o sujeito do nosso encontro com Ele: não é passividade, mas resposta activa, acção por excelência da criatura perante o Seu Criador e Senhor.
Pág. 103 – “Advento”

«A oração não é apenas o respiro da alma mas, para usar uma imagem, é também o oásis de paz no qual podemos ir buscar a água que alimenta a nossa vida espiritual e transforma a nossa existência. E Deus atrai-se a Si, faz-nos subir ao monte da santidade, para estarmos cada vez mais próximos dele, oferecendo-nos luz e conforto ao longo do caminho.» (Bento XVI, Audiência Geral, 13.06.2012)

«Quando rezamos, abre-se o nosso coração, entramos em comunhão não só com Deus, mas precisamente com todos os filhos de Deus, porque somos um só. E quando nos dirigimos ao Pai no nosso ambiente interior, no silêncio e no recolhimento, nunca estamos sós. Quem fala com Deus não está sozinho. Estamos na grande oração da Igreja, fazemos parte de uma grandiosa sinfonia que a comunidade cristã espalhada por todas as partes da terra e em todas as épocas eleva a Deus; sem dúvida, os músicos e os instrumentos são diferentes — e este é um elemento de riqueza — mas a melodia de louvor é uma só e está em harmonia. Então, cada vez que clamamos e dizemos: «Abbá! Pai!», é a Igreja, toda a comunhão dos homens em oração, que sustém a nossa invocação, e a nossa invocação é a invocação da Igreja.» (Bento XVI, Audiência Geral, 23.05.2012)

«Na oração nós experimentamos, mais do que noutras dimensões da existência, a nossa debilidade, a nossa pobreza e o facto de sermos criaturas, porque somos colocados diante da omnipotência e da transcendência de Deus. E quanto mais progredimos na escuta e no diálogo com Deus, para que a oração se torne o suspiro quotidiano da nossa alma, tanto mais compreendemos também o sentido do nosso limite, não apenas diante das situações concretas de cada dia, mas inclusive na própria relação com o Senhor. Então, aumenta em nós a necessidade de nos confiarmos, de nos entregarmos cada vez mais a Ele; compreendemos que «não sabemos... rezar como convém» (Rm 8, 26). E é o Espírito Santo que ajuda a nossa incapacidade, ilumina a nossa mente e aquece o nosso coração, orientando o nosso dirigir-nos a Deus.» 



«A oração do fiel abre-se também às dimensões da humanidade e de toda a criação, assumindo a «criação, que aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Isto significa que a oração, sustentada pelo Espírito de Cristo que fala no íntimo de nós mesmos, jamais permanece fechada em si própria, nunca é uma oração apenas para mim, mas abre-se à partilha dos sofrimentos do nosso tempo, dos outros. Torna-se intercessão pelo próximo, e deste modo libertação de mim mesmo, canal de esperança para toda a criação, expressão daquele amor de Deus, que é derramado nos nossos corações através do Espírito que nos foi comunicado (cf. Rm 5, 5). E precisamente este é um sinal de uma oração verdadeira, que não termina em nós mesmos, mas abre-se aos outros e assim liberta-me, e deste modo contribui para a redenção do mundo.» (Bento XVI, Audiência Geral, 16.05.2012)
Pág. 137 – “Entraste na minha vida”

Obrigado Joaquim Mexia Alves por esta partilha e boa leitura a todos!
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

É TÃO BOM AQUI NO CÉU!

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Éramos nove irmãos!

Realmente ainda o somos, porque mesmo aqueles que partiram para o Pai, estão connosco como presença real e verdadeira de Cristo, a Quem eles seguiram nas suas vidas, inteiramente.

Estão connosco também nas recordações de uma ligação indestrutível, cimentada pelo amor dos nossos pais, que se faz sempre mais forte do que as eventuais divergências e desentendimentos, normais entre pessoas de personalidades fortes, como todos sabemos ser.

Todos gostávamos e gostamos da vida, mas a Mena, de todos nós, era aquela que exaltava a vida, com uma força e uma vontade de viver, que nunca vi em mais ninguém.

Lembro-me desde pequeno de a ver e ouvir afirmar, com uma convicção imensa, recheada de um sorriso, que nunca haveria de morrer.

E a gente dizia-lhe: mas ó Mena todos temos de morrer!
Mas ela respondia invariavelmente: pois está bem, mas eu não! Eu nunca vou morrer!

Tive sempre a sensação que ela dizia isto muito mais porque amava profundamente a vida, do que propriamente por algum “medo” de morrer.

Lamentava-se disto ou daquilo, como qualquer um de nós, mas esses lamentos acabavam normalmente com uma graça qualquer e com um sorriso, ou mesmo uma gargalhada cheia de alegria.

Tantas histórias que eu poderia contar da Mena que, sei bem, fariam rir todos os que me lessem à conta do seu humor e da sua alegria, mas guardo-as, (desculpem os meus eventuais leitores), para as desfrutarmos em família.

A Mena amava a vida, dizia que não iria morrer, e agora descobriu finalmente o porquê desse amor exaltante à vida.

É porque a descobriu agora, naqu’Ele que é a vida, e sabe que agora, verdadeiramente, nunca mais morrerá, mas sim viverá a vida como sempre a quis viver: na alegria, na paz, no amor e para sempre!

E eu vejo o seu enorme sorriso, junto àqueles que a esperavam, e ouço a sua voz a dizer: Ai Joaquim, é tão bom aqui no Céu!


Monte Real, 19 de Julho de 2012
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quarta-feira, 18 de julho de 2012

COMO SE PARTE ... FICANDO?

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Como se parte,
ficando?

Há um tempo,
que se vive agora,
mas é curto,
muito mais curto,
que o tempo de cada vida.

Quem parte definitivamente,
não parte,
nem vai embora.

Apenas acaba o tempo
o tempo curto da vida
porque o tempo mais longo
e eterno,
só começa quando se parte.

Parte-se então,
mas ficando,
numa presença constante,
presença naqu’Ele que vive
na vida que foi levando.

É coisa de coração,
não se pensa,
não se vê,
apenas se sente,
e vive,
na vida que foi ficando,
naqu’Ele que se faz presente.

Como se parte,
ficando?

Basta viver a vida,
naqu’Ele que tudo é,
porque em partindo
se fica,
vivo e presente
na Fé.


Marinha Grande, 17 de Julho de 2012


Para a minha querida irmã Mena, que hoje partiu ... ficando!
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terça-feira, 10 de julho de 2012

«NÃO É ELE O CARPINTEIRO…?»

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Ao ler e ouvir este versículo do Evangelho de Domingo, não pude deixar de estabelecer um paralelo com frases que tantas vezes pronunciamos no nosso dia-a-dia, quando alguém nos chama a atenção para as nossas falhas, os nossos erros, as nossa fraquezas, as nossas atitudes.

“Quem é ele para me dar lições?”
“Era o que mais faltava, não aceito lições de qualquer um!”
“Mas quem é que ele se julga para me dar conselhos?”
“Essa é boa, então o sujeito é um zé-ninguém, e vem para aqui dar conselhos?”
“Coitado, não tem instrução e julga que sabe da vida!”

E podia repetir dezenas de frases idênticas, que eu já pensei ou pronunciei em tantas ocasiões, em que alguém me chamou a atenção para algum erro ou falha minha.

E porquê?
Porque verdadeiramente aqueles a quem dirigi tais frases, em pensamento ou vocalmente, não poderiam fazer-me tais reparos ou dar tais conselhos, ou porque o meu orgulho me impedia de os ouvir e me incomodava seriamente o que me estavam a dizer, por ser real e verdadeiro e exigir de mim uma mudança de atitude?

Seriamente, tenho que reconhecer que na esmagadora maioria das vezes em que tal aconteceu, os outros tinham razão em chamar-me a atenção e dar-me conselhos, para eu questionar as minhas atitudes e formas de proceder.

Mas se eu acredito que Deus está em mim e está no meu próximo, e se acredito que se Ele se serve de mim para dar testemunho, então tenho que acreditar que também se serve dos outros em relação a mim.

Eu acredito, sem dúvidas, que Deus me/nos fala de muitos modos, e que um deles é através dos nossos irmãos, sejam eles sacerdotes, ou leigos como eu.

E acredito também que, não fazendo Deus acepção de pessoas, se serve de todos, desde os mais simples aos mais instruídos, para nos fazer chegar a sua Palavra, a sua mensagem, a sua exortação.

Não eram os primeiros Apóstolos simples pescadores?
Não nos admiramos nós, por exemplo, com a sabedoria de vida dos mais velhos em tantas coisas, (como por exemplo a agricultura), e afinal muitos deles não têm nenhum “curso superior”, ou “instrução elevada”?

Quando não queremos ouvir, nem aceitar o que os outros nos dizem sobre os nossos comportamentos, (que interiormente sabemos estarem errados), não estamos a fazer mais do que estes de que nos fala o Evangelho:

Os numerosos ouvintes enchiam-se de espanto e diziam: «De onde é que isto lhe vem e que sabedoria é esta que lhe foi dada? Como se operam tão grandes milagres por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?» E isto parecia-lhes escandaloso. Mc 6, 2-3
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terça-feira, 3 de julho de 2012

"ORANDO EM VERSO"

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Uma nova Apresentação do meu livro “Orando em verso” .

A apresentação será feita pelo Padre José Carlos Nunes, Superior dos Paulistas em Portugal, depois da celebração da Santa Missa, às 11 horas e 30 minutos, na Capela das Termas de Monte Real, no dia 7 de Julho.

A receita da venda do livro reverte totalmente para a construção do Centro Pastoral da Marinha Grande, obra de importantíssima necessidade nessa paróquia.

Todos estão obviamente convidados.

Finda a apresentação autografarei os livros àqueles que assim o desejarem.
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

CRISMA, UM INÍCIO DE FUTURO

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Este Domingo, 1 de Julho, os jovens a quem tenho dado catequese nos últimos quatro anos, foram crismados.
Foi um dia de muita alegria, para eles e também, e muito, para mim.

No Sábado, dia de ensaio geral para a cerimónia, surpreenderam-me, (verdadeiramente), com um trabalho feito por eles, no qual, em redor de uma fotografia em grupo, impuseram as palmas das mãos, escrevendo os seus nomes no interior.
Ofereceram-me ainda uma caneta, gravada com “Catequizandos 2008/2012”.

No quadro acima referido, escreveram:
«Joaquim. Ao longo destes 4 anos foste amigo, conselheiro, “pai” e catequista.
Ensinaste-nos a viver de outra forma, com a partilha de experiências, conhecimentos e emoções.
Contigo crescemos na Fé.
Obrigada por tudo! Ficarás para sempre no nosso coração.»

Poderão, os que me lerem, perceber o meu orgulho!
Poderão talvez perceber, sobretudo, o meu orgulho nestes jovens e, talvez mais do que isso, o amor que lhes tenho.
Escolhi a palavra amor, porque é mesmo amor que lhes tenho, como uma pertença deles a mim e eu a eles.

Talvez devesse sentir-me pelo menos um pouco realizado nesta missão que Deus quis colocar nas minhas mãos.
Mas não, não sinto essa “realização”!
Sinto sim que acabou uma etapa, mas reconheço que começa agora outra, bem mais difícil, bem mais exigente, que é conseguir levar por diante o grupo de oração e partilha, que lhes propus e que eles me disseram querer aceitar.

Mas é agora este caminho, que já não almeja uma meta prevista no tempo, (como o Crisma, por exemplo), que exige deles e de mim novas vivências, novos saltos na fé, novas dúvidas e desânimos, e sobretudo, muita tenacidade e fortaleza.

Mas dou graças a Deus porque não estaremos sozinhos, porque não caminharemos sozinhos, porque o Espírito Santo agora derramado, se faz presente em cada sua/nossa oração, em cada sua/nossa alegria, em cada sua/nossa vitória, e também, em cada seu/nosso tropeçar, em cada seu/nosso fraquejar, em cada seu/nosso duvidar, para nos levantar, para nos dar forças, para nos dar o discernimento da e na Fé.

O Espírito Santo fará com que cada oração, cada vitória, cada alegria, seja de todos, e vivida por todos, e assistirá a todos, no tropeçar, no fraquejar, no duvidar, que será de todos e não apenas de um.

Muitos dirão que estou a sonhar!
Mas eu respondo que não, não estou a sonhar!
Estou a acreditar que se abrirmos decididamente as portas dos nossos corações a Deus, em comunhão de oração e partilha, (seja qual for a vida que cada um vai viver no futuro), poderemos ultrapassar as dificuldades, as armadilhas do mundo, e encontrarmos já nele, a alegria da presença de Deus em nós e connosco.

Apetece-me gritar como João Paulo II, para eles e para mim: «Não tenhais medo!»


Marinha Grande, 2 de Julho de 2012
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terça-feira, 26 de junho de 2012

PALAVRAS ESCRITAS

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Nasce assim, de repente, uma vontade de escrever palavras e mais palavras, sobre Ti, sobre o Teu amor, sobre o que experimento e vivo, porque Te sinto comigo, porque Te sei connosco.

E nada tenho para escrever, nem uma ideia, nem um sentimento, nem uma oração, mas apenas e tão só desejo de escrever, desejo de Te escrever.
E lanço palavras à folha branca que se dá a conhecer aos meus olhos, e deixo que as palavras saiam, quase se escrevam por elas próprias.


Sabes, Senhor, é quase um sentir que Tu escreves por mim aquilo que Te hei-de escrever!
E então apetece-me ter palavras, maiores do que a minha vida, porque para te dizer sim, é preciso muito mais, do que esta vida em mim.

Sim, Senhor, se esta vida pequena que tenho e usufruo, não for cheia do amor que vem de Ti e em mim mora, como poderia eu sequer, ousar escrever o Teu Nome, ou levantar os olhos, para Te olhar nas palavras que vais escrevendo em mim.

Amo-Te?
É tão pouco, são tão curtas as palavras, e ainda por cima repetimo-las tantas vezes, e às vezes tão rotineiramente!

Adoro-Te?
Mas será que Te adoro verdadeiramente, «em espírito e verdade», ou são apenas palavras que me saem da boca, do pensamento, mas não estão enraizadas no coração?

E o que é adorar-Te?
É reconhecer-te Senhor da minha vida, Senhor de tudo, Senhor do amor, da paz e da verdade?
É prostrar-me de cara no chão, não com medo ou vergonha, mas reconhecendo-me nada para Te poder olhar?
É dizer-Te que sou Teu, e apenas Teu, e será isso verdade em mim?

Vês, Senhor, eu escrevo porque Tu me fazes escrever, mas são tantas as dúvidas do que o que escrevo seja verdade!
Não, Senhor, não tenho dúvidas que estás comigo, que estás connosco e entre nós, que és o nosso Deus e Senhor!
Não, Senhor, essas dúvidas não tenho!

As minhas dúvidas, Senhor, são a minha resposta ao Teu amor, a minha entrega à Tua entrega, o dar a minha vida à Tua vida!
São essas as minhas dúvidas!

Mas Tu és a misericórdia, és o perdão, és o tudo do meu nada, não é verdade, Senhor?
Conheces as minhas dúvidas, porque conheces as minhas limitações, porque sabes das minhas fraquezas.

Então, Senhor, posso descansar no Teu amor, porque Te sei junto a mim, sorrindo, olhando-me como a uma criança que quer muito agradar, mas ainda não sabe como.

E dizes-me muito baixinho, repassado de ternura: Pára agora de escrever, descansa agora as palavras, e ama, apenas ama, assim de coração aberto, onde Me vais encontrar.

Obrigado, Senhor!



Monte Real, 26 de Junho de 2012
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terça-feira, 19 de junho de 2012

MISSÃO DOS PAIS E PADRINHOS (3)

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E a missão dos padrinhos e madrinhas passa também por aqui, por este testemunho de vida cristã, vivida no dia-a-dia.

Reparemos que o Código de Direito Canónico diz no Cânone 893, no parágrafo 2, que: É conveniente que se assuma como padrinho o mesmo que assumiu esse encargo no baptismo.
Esta sugestão, este conselho, visto que não é uma imposição, tem a ver efectivamente com a missão do padrinho ou madrinha, que se deve desenvolver ao longo de toda a vida do afilhado.

Diz-nos o Catecismo da Igreja Católica no seu ponto 1255:
Para que a graça baptismal possa desenvolver-se, é importante a ajuda dos pais. Esse é também o papel do padrinho ou da madrinha, que devem ser pessoas de fé sólida, capazes e preparados para ajudar o novo baptizado, criança ou adulto, no seu caminho de vida cristã.

Em primeiro lugar é preciso percebermos que é o padrinho ou madrinha que apresenta à Igreja, à comunidade eclesial, perante o Bispo, aquele ou aquela que vai ser crismado.

A responsabilidade é grande, porque não só confirmam perante o Bispo, a comunidade, a Igreja, que aquele jovem quer receber a Confirmação, mas também, que ao assumirem a missão de padrinhos se comprometem a velar para que aquele jovem, caminhe em Igreja, na vivência diária da fé e da doutrina que afirma professar.

Por isso mesmo, o padrinho tem também que ser pessoa de vivência diária da fé, em comunhão de Igreja e com a Igreja, à qual apresenta o seu afilhado/afilhada.

E tem que o ser, porque a sua missão é acompanhar o afilhado na prática da sua vida cristã, cuidando que não se afaste da Igreja e dos Sacramentos que alimentam a fé.

Às vezes até, por impedimento dos pais, ou até porque poderão viver afastados da Igreja, é missão do padrinho substitui-los nessa missão disponibilizando-se para acompanhar o afilhado na prática religiosa.

Julga-se muitas vezes, com alguma simplicidade, que o padrinho tem a missão de substituir os pais, se eles faltarem, seja qual for o motivo.
Poderá o padrinho ter essa missão, também, mas sabemos bem, que se os pais faltarem haverá sempre pessoas de família que, legitimamente, tomarão a seu cargo a educação e acompanhamento desse jovem, o que no entanto não liberta o padrinho da sua missão principal e que é exortar e acompanhar o afilhado na sua vida com Deus e para Deus.

Padrinhos e madrinhas, devem ser uma espécie de pais e mães espirituais, pois eles têm como obrigação ajudar o crismando a amadurecer para a fé, e na fé, pois o próprio significado do Crisma é este, o Sacramento da maturidade cristã, ou seja, quando a criança se torna adulta perante a igreja.
Por isso mesmo, padrinhos e madrinhas têm de estar preparados para responder às solicitações dos seus afilhados no que diz respeito às suas dúvidas, aos seus receios, às suas incertezas, contando para isso, sempre que necessário, com o conselho do sacerdote ao qual queiram pedir ajuda.
A responsabilidade é grande, muito grande, e assim, só com uma vida diária de oração, e uma participação activa nos sacramentos na Igreja, pode o padrinho testemunhar e estar pronto para acompanhar, ajudar e aconselhar o seu afilhado na sua vida futura.
Sem dúvida que é uma missão notável, de uma beleza imensa e que Deus recompensará à medida do seu infinito amor.
Mas também é matéria que nos será perguntada por Deus um dia, pois a verdade é que ninguém nos obrigou a aceitar essa missão: fomos convidados e aceitámos de livre vontade, por isso temos de assumir a nossa responsabilidade e a nossa missão.
Uma coisa podemos ter sempre certa, pais e padrinhos: é que, se tivermos na nossa vontade o cumprimento da nossa missão segundo a vontade de Deus, se a ela nos entregarmos com total disponibilidade, se tudo fizermos para que os nossos filhos e afilhados conheçam Deus e O vivam nas suas vidas, então saberemos, sem a mínima dúvida, que Deus estará sempre connosco e nos ajudará a cumprir o compromisso que assumimos como pais e padrinhos.
E será grande a alegria de sabermos que os nossos filhos e afilhados, encontrarão em Deus a felicidade completa, que só Deus pode dar àqueles que a Ele se unem, vivendo no e para o seu amor.

Marinha Grande, 4 de Junho de 2012
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terça-feira, 12 de junho de 2012

MISSÃO DOS PAIS E PADRINHOS (2)

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Diz-nos o Magistério da Igreja que a família é uma “igreja doméstica”, ou seja, em palavras muito simples, uma união de amor que deve ter Deus no seu centro.

A família é o primeiro contacto que as crianças e os jovens têm com o mundo, e aquilo que lhes é dado a conhecer nessas idades fica para sempre, como nós pais, que já fomos crianças, muito bem sabemos e podemos testemunhar.

As primeiras palavras, os primeiros passos, as primeiras alegrias e tristezas, são sempre vividas em família, bem como os primeiros conselhos para a vida, e depois ao longo da adolescência, para o crescer e amadurecer como futuros homens e mulheres.

Assim, e se nós pais procuramos a Igreja para os nossos filhos receberem a Catequese, para melhor conhecerem Deus e melhor O poderem amar, compete-nos sem dúvida, que desde a mais tenra idade, desde a idade em que começamos a ensinar a vida aos nossos filhos, lhes ensinemos que é em Deus e com Deus que devemos sempre viver e completar a vida que Ele mesmo nos deu.

Mesmo aqueles pais, que por qualquer razão vivem afastados da fé e da Igreja, ao escolherem para os seus filhos a frequência da catequese, devem dar, pelo menos, o testemunho de respeito pela fé e pela Igreja que os aconselharam a viver, disponibilizando-se sempre para os acompanhar, no sentido de os fazer perceber a importância que tem a vivência da fé para a sua vida, pois que, se escolheram para os filhos esse caminho, (embora possa não ser o seu), é porque acreditam de alguma forma que é o caminho certo.

Não tem sentido, desculpem-me a franqueza, colocar os filhos na catequese, e depois dizer mal da Fé e da Igreja à frente deles, ou ter práticas contrárias à fé que eles, filhos, se empenham em conhecer e viver.
Como não tem sentido colocar os filhos na catequese e depois arranjar todo o tipo de desculpas para eles faltarem à missa, por exemplo.

É curioso, e mais uma vez desculpem-me a franqueza, que como catequista, sou muitas vezes confrontado com toda a espécie de desculpas para os jovens faltarem à catequese, porque todas as outras actividades em que estão envolvidos são consideradas mais importantes do que a catequese em que se quiseram comprometer.
Se os jovens faltarem a essas actividades e por força disso não passarem um qualquer escalão atribuído nessas actividades, é facilmente compreendido, mas se faltarem à catequese e obviamente não passarem de ano, isso já não é entendido nem facilmente aceite.

Ora isto e muito mais coisas, tem a ver com a missão dos pais em tudo, mas sobretudo na educação religiosa dos seus filhos, que é o que aqui estamos a tratar.

Recentemente, numa conversa que tive com várias pessoas, entre elas os Padres Armindo e Pedro, da nossa paróquia, falou-se nas orações tradicionais que os nossos pais nos ensinavam desde a mais tenra idade, e de como essas orações marcaram sem dúvida as nossas vidas, sobretudo as nossas vidas espirituais.

Permitam-me que dê o meu testemunho pessoal de como isto que acabei de dizer é verdade.
Educado pelos meus pais na religião cristã e católica, foram-me, desde a mais pequena idade, ensinadas as orações da Igreja, Pai Nosso, Avé Maria, etc., bem como algumas devoções, que mais à frente referirei.
Lembro-me bem dos natais familiares, em que o meu pai rezava connosco, e depois da meia-noite beijávamos a imagem do Menino Jesus que estava no Presépio.
Em todas as ocasiões de grande festa da Igreja, Natal, Páscoa; etc., o momento mais importante era a oração que o meu pai e a minha mãe faziam connosco em família.

Uma devoção, que particularmente me ficou “agarrada”, é a devoção das “três Avé Marias” diárias, que sustenta que quem a praticar terá sempre a assistência de Nossa Senhora nas horas difíceis, sobretudo na hora da morte.
Falo nela, porque tendo-me afastado da fé e da Igreja a partir dos 19, 20 anos, acho que nunca deixei de a rezar, nem mesmo quando estive na guerra na Guiné.
Poderia não rezar com fé, poderia rezar apenas por hábito, por rotina, mas essas três Avé Marias percorreram a minha vida e são também sem dúvida, para além de muitos outros factores, razão do meu retorno à fé e à Igreja.
Lembro-me bem de, quando por volta já dos meus 42 anos me comecei a reaproximar da fé e da Igreja, todos esses ensinamentos e orações que os meus pais e catequistas me tinham ensinado, regressaram imediatamente à minha memória e com facilidade os comecei a reflectir e rezar.
E o meu retorno à fé e à Igreja retirou-me de uma vida que então vivia e me levaria sem dúvida, muito rapidamente à perdição, não só espiritual, mas sem a mínima dúvida, física e moral.

Melhor exemplo que este sobre a missão dos pais e a sua importância na vida dos filhos, não sou capaz de dar.

Coloca-se-nos muitas vezes o problema se devemos obrigar os nossos filhos a participarem na Missa, na Catequese, enfim, na vivência da fé, e, curiosamente, nós pais que tantas vezes os obrigamos a fazer tantas coisas, neste aspecto da religião, somos então muito mais “liberais”.
Mas a verdade, é que se nós não os obrigarmos a ir à escola, eles por sua vontade, também não irão.
E afinal nós somos capazes de lhes explicar porque têm de frequentar a escola, afirmando-lhes que é o seu futuro, etc.,etc.
Somos capazes às vezes até de voltar a estudar em casa algumas matérias, só para os ajudarmos nos seus estudos, mas tantas vezes não somos capazes de os ajudar a encontrar Deus nas nossas palavras, nos nossos gestos e no nosso testemunho.

Dizia um célebre General Israelita que o sucesso do exército israelita em guerra se devia a que os seus oficiais, quando comandavam as tropas em combate, não ordenavam, “em frente”, mas sim, “sigam-me”!
O testemunho daqueles que estão à frente, neste caso os pais, é sempre a maior parte da razão para os filhos seguirem os seus conselhos.

A nós pais compete-nos semear a semente, compete-nos regá-la e alimentá-la enquanto é nova, na esperança sempre de que Deus fará o resto e que quando a árvore for adulta dará sem dúvida bom fruto. Mas se por acaso, e durante algum tempo não der fruto nenhum, ou até mau fruto, a seiva inicial que foi dada àquela árvore pelos seus pais, pode sempre vencer a outra seiva “estragada”, e fazer com que árvore volte dar bom fruto.

Um dia, nós que acreditamos, (e todos os outros também), estaremos perante Deus, que nos perguntará o que fizemos da vida que nos deu, o que fizemos da graça que Ele nos deu em sermos pais.
Perguntar-nos-á se amámos os outros, sobretudo aqueles que Ele nos deu como família, e amar os nossos filhos é, sem dúvida, mostrar-lhes o caminho do amor, o caminho da salvação, o caminho que nos garante que mesmo que não haja mais nada e que estejamos sós, Deus está sempre connosco.

Mostrar-lhes, enfim, o caminho de Deus e para Deus.
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